O governo interrompeu a discussão acalorada que vinha sendo feita na mídia malaia sobre o país ser ou não ser um “Estado islâmico”.

O primeiro-ministro Najib Abdul Razak, que levantou a questão ao protestar no mês passado contra grupos religiosos, foi obrigado a voltar atrás em suas declarações. Além disso, o Ministério de Segurança Interno o compeliu a emitir uma ordem de mordaça na cobertura da mídia sobre o assunto.

No dia 17 de julho, durante a Conferência Internacional dos Estados Islâmicos, Najib disse que “a Malásia era um Estado islâmico e nunca tinha sido uma nação secular”, de acordo com definição ocidental.

“Nosso governo sempre foi dirigido pelos fundamentos do islã”, disse. Porém, ele lembrou que a Constituição Federal garante liberdade religiosa a minorias não-muçulmanas que compõem aproximadamente 40% da população.

As afirmações imediatamente causaram protestos entre as comunidades religiosas que temem restrições, especialmente após a recente decisão da Corte Federal desfavorável a Lina Joy, que tentou em vão retirar o status religioso de muçulmana para cristã em sua carteira de identidade (leia mais).

O bispo Paul Tan, presidente da Federação Cristã de Malásia, respondeu aos comentários emitindo uma declaração à imprensa expressando suas preocupações e pedindo que o primeiro-ministro se retratasse.

Ele alegou que o uso do termo “Estado islâmico” é inaceitável a outras religiões por três motivos: o termo não é usado na Constituição Federal; os pais da independência da Malásia nunca mencionaram que o país seria um estado islâmico; e partidos de coalizão não-muçulmanos nunca consentiram, nem endossaram oficialmente, o termo “Estado islâmico” para descrever o país.

Independência

Ong Ka Chuan, secretário-geral da Associação Chinesa da Malásia, lembrou que antes de conceder a independência para Malásia em 1957, as autoridades britânicas declararam expressamente que os “membros da aliança não tinham nenhuma intenção de criar uma teocracia muçulmana” e afirmaram na ocasião que a Malásia “seria um estado secular.”

O ex-primeiro-ministro Mahathir Mohamad apoiou a declaração de Najib. Em setembro de 2001 ele também proferiu uma afirmação semelhante.

Por isso, em uma clara tentativa de suprimir as preocupações dos não-muçulmanos com a liberdade religiosa do país, o primeiro-ministro Najib Abdullah disse no domingo (5 de agosto) que a Malásia não é nem um estado secular nem um estado teocrático.

Fonte: Portas Abertas