A religião politeísta dos amautas, os sábios imemoriais da cultura andina, será incorporada ao currículo da escola boliviana junto das outras disciplinas, afirmou o ministro da Educação Félix Patzy, em meio a uma forte polêmica causada pelo assunto com a Igreja Católica.

O projeto visa ao estudo da teologia andina, que reverencia a ‘Pachamama’ (mãe terra), o ‘Tata Inti’ (pai Sol) e outras divindades como os míticos ‘achachilas’, que segundo a crença dos indígenas aimaras e quechuas tutelam a vida dos Andes.

De fato, os moradores desta região sul-americana praticam um sincretismo católico-pagão na maior parte de suas formas culturais desde 1533, quando a colonização espanhola avançou sobre o Novo Mundo, com a catequização como ponta de lança.

Antes de sua chegada, o império inca, que as forças espanholas reduziram a ruínas no século XV, venerava a mãe terra e o pai sol.

O funcionário boliviano, que anunciou seu projeto para uma educação leiga, informou que haverá um processo para adequar as linhas diretrizes do ensino da religião nas escolas.

“Convocaremos todas as Igrejas, os evangélicos, os pentecostais, os mórmons e, certamente, os católicos, mas também estarão os amautas das terras baixas e altas, das 36 culturas que convivem no país para que entre todos partilhem os saberes sobre a religião”, disse Patzy em declarações à imprensa.

Alvo de duras críticas por supostamente atacar a tradição católica no país, Patzy insistiu em que “ninguém vai tirar o (lado) católico” das crenças supremas dos bolivianos.

“Eles (os católicos) têm direito (a ensinar sua doutrina) nas igrejas”, reforçou Patzy.

A iminente reforma na educação boliviana contempla uma mudança no ensino da religião, fundamentado em três pontas: a fé católica, os protestantes e as culturas originárias, segundo este sociólogo indígena.

Fonte: AFP