Um religioso, que fundou a Igreja Apostólica Renovada no Brasil, em Jacareí, está sendo investigado pela polícia por estelionato. Três pessoas denunciaram o padre por pedir dinheiro para fazer trabalhos espirituais. Uma delas perdeu mais de R$7.000.

A Polícia de Jacareí investiga um padre da cidade. Já são três boletins de ocorrência contra o religioso, que, segundo essas pessoas, ele pediria dinheiro para fazer trabalhos espirituais.

Com problemas financeiros e de saúde, uma propaganda na rádio levou um metalúrgico até um local, em Jacareí, chamado de “santuário dos anjos”. ” Chegando lá me pediram R$30 por pessoa e disseram que tinham feito uma macumba pra mim e, por isso, pediram mais R$500″, diz o metalúrgico que não quis se identificar.

As orientações, segundo ele, eram dadas pelo padre Miguel Arcanjo, responsável pelo santuário. Em uma das consultas, o homem diz que o religioso pediu mais dinheiro para desfazer novos trabalhos espirituais. “Eles iam ter que fazer um trabalho com nove bonecos de mim e minha esposa. Tudo isso ai, ia ficar em R$7.000. Eu depositei R$4.000 e depois mais duas vezes de R41.500, diz.

Depois de mais de dois meses frequentando o local, ele se sentiu vítima de um golpe. “Não estou vendo melhoria na minha vida em nada e fiquei individado”. Assim como o metalúrgico, outras duas pessoas registraram boletim de ocorrência contra o padre.

Pela lei brasileira, qualquer pessoa tem o direito de seguir a crença que quiser e fundar uma nova seita ou religião. E também se autodenominar padre ou bispo. Nenhum destes termos é de propriedade da Igreja Católica. Mesmo assim a Polícia está investigando se o religioso não estaria cometendo um crime. “A execução de trabalhos espirituais mediante pagamento para obter uma vantagem é crime. Se for caracterizado será estelionato”, afirma o delegado da Polícia Civil Tales Prado.

O padre Miguel Arcanjo, recebeu nossa equipe no santuário em que realiza as missas, em Jacareí. Ele diz que fundou a Igreja Apostólica Renovada no Brasil há quatro anos. E que segue uma linha do catolicismo que prega a força de trabalhos espirituais.

Os cultos acontecem sempre aos domingos pela manhã e duram em média duas horas e meia. Entre as pregações, o padre e seus auxiliares pedem para que os fiéis comprem velas, que ajudariam nos trabalhos espirituais, e reforçam a importância da contribuição à igreja.

Em conversa com a nossa equipe, padre Arcanjo disse que tem cadastro de pessoa jurídica e alvará que permitem que ele realize os cultos no local. E admitiu que cobra pelas velas.”São chamadas velas especiais. São fabricadas artesanalmente, em pequena escala. É um processo bastante complicado e existe despesa”, afirma. Disse ainda que não obriga ninguém a dar dinheiro.”O dízimo, as ofertas, os votos são livres e a pessoa doa a quantidade, o volume que quiser”.

Sobre o homem que teria dado mais R$7.000 à ele, padre Arcanjo disse que foi para a despesas com os trabalhos espirituais.”Ele custeou as velas. A despesa do material. Eu não garanto o milagre sobre a cobrança, o milagre vem pela fé”, explica.

E encerrou a entrevista dizendo que está colaborando com as investigações.”Cabe às autoridade apurar e a nós fazermos nossa defesa”, afirmou.

Segundo o delegado, o padre deve depor sobre o caso nesta sexta-feira(16).

Fonte: VNews