Católicos e evangélicos divergem sobre a participação de padres, pastores e pastoras durante a disputa. Por um lado, o bispo Dom Paulo Mendes Peixoto anunciou que não permitirá que os párocos concorram às eleições.

Para ele, a postura é baseada no Código de Direito Canônico, que regula a vida da Igreja. Na tarde de ontem a reportagem tentou falar com o bispo, mas ele se encontrava em viagem.

Em artigo recém-publicado no site da Diocese de São José do Rio Preto (www.bispado.org.br), Dom Paulo escreveu que “a Igreja não pode e nem deve tomar em suas próprias mãos a batalha política para realizar a sociedade mais justa possível. Não pode, nem deve colocar-se no lugar do Estado. Mas não pode, nem deve ficar à margem na luta pela justiça. A sociedade justa não pode ser obra da Igreja; deve ser realizada pela política”. Segundo ele, as citações são do próprio Papa Bento XVI.

Ainda parafraseando o Vaticano II e o Papa João Paulo II, o bispo da Diocese disse que “o dever imediato de trabalhar por uma ordem justiça da sociedade é própria dos fiéis leigos, os quais, como cidadãos do Estado, são chamados a participar pessoalmente na vida pública. Não podem, pois, abdicar da múltipla e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover orgânica e institucionalmente o bem comum”.

Diferente da Diocese de Rio Preto, da qual faz parte Votuporanga, a de Jales liberou os padres a participarem das eleições este ano. O bispo Dom Demétrio Valentini (colaborador semanal deste jornal) reforçou que a negativa não ocorreu porque sacerdotes ainda não demonstraram interesse a disputar um cargo eletivo.

“Não acho necessário proibir porque ninguém me procurou querendo ser candidato, por isso não recomendei nada aos padres. Mas se alguém se interessar, vou ponderar e apresentar as motivações de ser padre, orientando que não convém um padre disputar e assumir cargos públicos”, afirmou.

Fonte: Jornal A Cidade