Religiosos xiitas e sunitas, que já protagonizaram divisões sangrentas no Iraque, pediram ao governo nesta sexta-feira que liberte o jornalista que atirou os sapatos no presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

A família do repórter de televisão Muntazer al-Zaidi, enquanto isso, protestava na entrada da fortificada Zona Verde em Bagdá, onde acreditam que ele esteja em um hospital após ter sido bastante ferido durante sua prisão.

Na principal mesquita xiita de Bagdá, al-Kadhum, o religioso Mohammed al-Shami pediu nas orações de sexta-feira que o primeiro-ministro Nuri al-Maliki solte Zaidi.

“Nós os vemos como responsáveis pela segurança dele”, disse o religioso. “Eles são responsáveis pela vida, pela saúde e pelas condições psicológicas dele.”

Na principal mesquita sunita de Bagdá, o religioso Abu-Hanifa pediu explicações a Maliki.

“Chamamos nosso primeiro-ministro e perguntamos a ele, ‘diga-nos por que vocês mantêm detida uma pessoa que fez um ato tão heróico e justo? Algo que todos nós gostaríamos de ter feito há muito tempo'”, disse Uhtman Raheem durante o sermão. “Por que vocês detêm um homem que se levantou perante a injustiça?”

A luta entre a minoria sunita que dominou o Iraque com Saddam Hussein e a maioria xiita matou milhares de pessoas durante o banho de sangue provocado pela invasão do país em 2003 pelos Estados Unidos.

A violência já começa a diminuir, ainda que explosões suicidas e de carros-bomba, a maioria atribuída à sunita al-Qaeda, continuem sendo rotina.

A defesa do jornalista, que também chamou Bush de “cachorro” na entrevista coletiva em Bagdá onde errou por pouco os sapatos atirados, une adversários no Iraque.

Muitos iraquianos, sunitas ou xiitas, culpam Bush pelas dezenas de milhares de mortos nos anos de guerra.

Na cidade de Falluja, um religioso sunita enalteceu Zaidi nesta sexta-feira e o chamou de um homem corajoso que honrou todos os iraquianos com sua atitude.

O paradeiro de Zaidi era desconhecido nesta sexta-feira. Ele apareceu na terça-feira perante um inquérito e poderia ser julgado por “agressão contra um presidente”, crime com prisão de até 15 anos.

Em uma das entradas fortemente protegidas da Zona Verde, área que abriga muitos escritórios governamentais e missões estrangeiras, a família de Zaidi e alguns simpatizantes carregavam cartazes e prometiam continuar a protestar até que ele seja libertado.

“Não sabemos nada sobre ele ou sobre a saúde dele, se ele está vivo ou morto. Estamos pedindo para vê-lo”, disse Um Saad, uma das irmãs do jornalista.

A tia de Zaidi, Um Zaman, caiu no choro.

“Quando vi ele apanhando na televisão e gritando de dor… Queremos vê-lo, mesmo se eu for a única permitida, com a graça de Deus,” disse.

Fonte: Reuters