A empresa responsável pela demolição do que sobrou da sede da igreja, no Cambuci (centro de São Paulo), onde o teto desabou totalmente no último domingo (18), deve começar os trabalhos na sexta-feira (23). A prioridade é remover uma parede que ameaça cair sobre imóveis que já foram interditados pela Defesa Civil.

O acidente causou nove mortes e deixou cerca de 120 feridos. O prazo para a Renascer apresentar um projeto para a demolição foi definido ontem (20) em acordo com a Promotoria e venceu às 15h desta quarta-feira. A proposta foi levada ao Ministério Público na tarde de hoje por um advogado da igreja.

De acordo com Mabel Tucunduva, promotora de Habitação, caso haja a aprovação da Polícia Civil, autoridades ambientais e da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), a demolição começa na sexta.

A Demolidora Diez usará um guindaste, que fica em Mauá (Grande São Paulo), para içar a parede que ameaça cair. Com isso, os imóveis ameaçados ficariam intactos. A prioridade é tirar a parede do local. O restante não tem prazo para terminar de ser demolido.

Com a demolição do que resta da construção, o IC (Instituto de Criminalística) também poderá voltar a fazer perícias no local. No início da noite de segunda-feira (19), a Defesa Civil, interrompeu o trabalho da perícia devido ao risco de desabamentos.

As telhas de amianto e o gesso também devem ser retirados, segundo a promotora, devido ao risco de contaminação que oferecem aos vizinhos do templo.

Tucunduva informou que já enviou um ofício à Coordenadoria das Subprefeituras pedindo para que o órgão solicite de todas as subprefeituras a vistoria de todos os templos da Renascer em toda cidade. A promotora vai recomendar para que todas as igrejas Renascer no Estado sejam vistoriadas, porém, segundo ela, é necessária a aprovação das Promotorias dos municípios.

Vistoria

O superintendente operacional do Crea (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura), engenheiro civil Ademir Alves do Amaral, esteve nos escombros do prédio da Renascer, na avenida Lins de Vasconcelos, no início da tarde.

O Crea não soube precisar o motivo da visita de Amaral e se elas têm relação com as investigações que irão subsidiar um processo de apuração de responsabilidade aberto pelo Crea. Preliminarmente o que foi informado é que isso seria feito somente após a liberação por parte do Corpo de Bombeiros.

O que o Crea irá avaliar é se realmente houve reforma no prédio, como ela ocorreu e quem são os responsáveis técnicos. O Crea utilizará o resultado das investigações a serem feitas pela Polícia Técnico-Científica. A investigação do conselho poderá durar seis meses.

“A divulgação dos laudos técnicos emitidos pelos órgãos competentes e de eventuais punições do Crea não trará de volta a vida dos inocentes, mas adverte para que essa situação não venha a se repetir em recintos semelhantes ou qualquer outro tipo de edificação”, diz Amaral, em nota enviada nesta semana.

Os responsáveis, se detectada a culpa, poderão responder pela cassação do registro junto ao Crea.

Fonte: Folha Online