O juiz da 2ª Vara de Trindade, Éder Jorge, se deparou com um pedido de liminar inusitado na última quinta-feira, 25, em Trindade. Ação proposta pelo Conselho de Pastores evangélicos do município solicitava que as imagens de santos das principais vias fossem retiradas e que a construção de portal com cúpula, semelhante à que existe no Santuário Basílica, na entrada da cidade, fosse paralisada.

O juiz indeferiu o pedido, e as obras seguem. Líderes evangélicos alegam que as construções representam ofensa à fé por eles representada. Presidente do conselho, pastor José Rodrigues diz que a requisição na Justiça foi baseada no artigo 19 da Constituição Federal, que veda à União, Estados e municípios manter relação de dependência com cultos religiosos ou igrejas.

A obra do portal está em fase inicial e terá 20 metros de altura, com espaço para visitas. Será uma espécie de mirante na entrada da cidade. O pastor afirma que a construção não deveria ter conotação religiosa nem símbolos específicos de uma religião, como a cúpula, que é ligada ao catolicismo romano.

José Rodrigues diz que vai propor ao prefeito George Morais a construção de uma grande bíblia com versículo no lugar da cúpula. “Já sugerimos uma frase e não foi aceita. Acreditamos que a bíblia simboliza muito mais a fé cristã, que uma cúpula”, alega. Caso a sugestão não seja aceita, o Conselho de Pastores de Trindade vai recorrer da decisão. Eles pretendem ir às instâncias superiores se for necessário.

O líder evangélico diz querer que a cidade seja conhecida pela fé, independente da crença. Mas, para isso, deseja que as outras religiões não sejam minimizadas na cidade. Afirma, ainda, que em Trindade existem mais de 200 igrejas evangélicas e 300 pastores, além de inúmeros espíritas e, por isso, uma única religião não deveria ser privilegiada pela administração pública.

O prefeito da cidade, George Morais, diz que o projeto do portal é que seja uma obra ecumênica, que se chamará Portal da Fé Cristã. O modelo foi escolhido para seguir o que já tem sido feito na cidade, a exemplo da Basílica. O prefeito diz que as obras continuam como descrito no projeto original. “Não privilegiamos crenças. O portal vai ficar bonito e será mais um local de visitas para turistas que procuram a cidade em qualquer época do ano”, disse. George acredita que as novas obras vão incrementar o turismo religioso, que é a principal fonte de renda do município.

O magistrado Éder Jorge disse que a liberdade de culto, como consta na Constituição, é a justificativa para a continuidade da obra. Diz que tanto católicos, evangélicos, entre outros, podem erguer prédios e monumentos em homenagem àquilo que acreditam. Diz que até mesmo o direito de não ter fé, de não acreditar em nenhuma divindade deve ser respeitado.

Fonte: Diário da Manhã