O vaticano reafirmou o celibato para os padres durante uma reunião com o papa Bento 16 nesta quinta-feira, que discutiu os pedidos de padres casados que desejam voltar à atividade do ministério.

Um comunicado do Vaticano afirmou que “o valor da escolha do celibato de acordo com a tradição católica foi reafirmado como necessário para uma formação humana e cristã sólida, seja para seminaristas como para padres que já tenham sido ordenados”.

O papa se reuniu por três horas com 20 chefes de departamentos do Vaticano para debater uma estratégia para lidar com um arcebispo africano que fundou um movimento de padres que deixaram as atividades eclesiásticas para se casar e desejam voltar ao clero.

Essa inédita reunião ocorreu cerca de dois meses depois de o arcebispo Emanuel Milingo, antiga autoridade do Vaticano, estimular os fantasmas de um cisma moderno ao ordenar quatro homens casados em Washington. Ele foi excomungado.

O Vaticano disse nesta semana, em nota, que o papa e seus assessores fariam “uma reflexão sobre os pedidos de dispensa da obrigação do celibato e sobre os pedidos de readmissão ao ministério clerical dos padres que haviam se casado”.

Segundo a lei canônica, um homem autorizado a deixar o clero, em um processo chamado de laicização, precisa receber do papa uma dispensa em separado do seu voto de castidade.

Muitos homens, no entanto, se casaram sem essa dispensa e agora tentam regularizar sua situação na Igreja.

Autoridades do Vaticano vinham dizendo que nenhuma decisão importante deveria ser tomada imediatamente após a reunião. Uma dessas autoridades disse que o evento serviria como “estudo da situação” depois da “desobediência” de Milingo.

Convenção dos padres casados

Milingo rejeitou sua excomunhão e pretende reunir mais de mil padres casados –com as respectivas esposas– entre 8 e 10 de dezembro em Nova York.

Defensores do direito dos padres ao casamento e do celibato opcional dizem que a medida atrairia mais homens para os seminários, reduzindo a falta de padres em muitas partes do mundo.

Os padres podiam se casar no primeiro milênio da era cristã. O celibato foi imposto no Segundo Concílio de Latrão, em 1139.

Em carta aberta ao papa, divulgada há duas semanas, Milingo disse que “mais de 150 mil padres casados estão esperando e dispostos a servir” à Igreja.

“Esses homens já são treinados e experimentados em teologia e no ministério, e muitos têm anos de experiência como homens casados. São homens que amaram suas esposas e criaram famílias. Eles deveriam ser chamados imediatamente de volta ao ministério”, disse ele.

“A própria vida da Igreja está em risco. Sem padres, não há missa ou eucaristia. A eucaristia é o centro da fé e da experiência católico-cristã. Sem eucaristia não há Igreja”, escreveu Milingo.

Alguns homens que deixaram a batina para se casar agora são viúvos ou separados, com filhos adultos, e querem voltar aos altares.

Milingo não só defende o fim do celibato como se casou em 2001 numa cerimônia coletiva da Igreja da Unificação, do reverendo Sun Myung Moon. A união nunca foi reconhecida pelo Vaticano, e Milingo posteriormente voltou à fé católica.

Fonte: Reuters