O editorial da revista católica Avvenire publicado ontem criticou a decisão da academia islâmica sunita do Cairo Al-Azhar de congelar o diálogo com o Vaticano e exortou o fim dos assassinatos contra “cristãos indefesos”.

“Devemos esperar uma fatwa [julgamento islâmico], um decreto contra os assassinos de cristãos indefesos, um ato solene em consonância com os apelos do Papa a todas as vozes que crêem em Deus a não matarem mais em Seu nome e a continuar o caminho da paz”, questionou o artigo, assinado por Luigi Geninazzi.

A revista também comemorou a aprovação pelo Parlamento Europeu — que se reuniu ontem em Estrasburgo, na França — de uma resolução em defesa dos cristãos e da liberdade religiosa no mundo.

A votação ocorreu após os ataques contra templos cristãos registrados no Oriente Médio. Na passagem de ano, uma igreja copta, dos cristãos ortodoxos egípcios, foi alvo de uma explosão, morrendo 46 pessoas. Em outubro de 2010, um atentado a uma igreja siríaca em Bagdá matou outras 23.

Ontem, a mais importante autoridade religiosa sunita do mundo islâmico, a Academia de Investigação Islâmica de Al-Azhar, da Universidade do Cairo, anunciou que congelara indefinidamente o diálogo com a Santa Sé como uma resposta às declarações do papa Bento XVI, classificadas como ataques ao Islã.

De acordo com o secretário geral da academia, Ali Abdel Dayem, Joseph Ratzinger acusou diversas vezes os muçulmanos de oprimirem os fiéis de outras religiões no Oriente Médio.

A Avvenire argumentou que o Pontífice nunca pediu um tratamento diferenciado para “os seus”, mas que demandou a “garantia de liberdade e segurança para todos, inclusive para os muçulmanos”. Segundo o editorial, os “intelectuais influentes de Al-Azhar deveriam ser os primeiros a entender isso e explicar para a comunidade islâmica”.

[b]Fonte: O Reporter
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