O líder espiritual de 77 milhões de anglicanos, Rowan Williams, defendeu nesta segunda-feira, ante o Sínodo Geral, seus comentários considerando “inevitável” a aplicação de aspectos da lei islâmica na Grã-Bretanha, apesar de advertir que sua proposta havia sido “distorcida”.

“Assumo a responsabilidade por qualquer falta de clareza em minhas declarações sobre a sharia”, declarou o arcebispo de Canterbury.

O primaz anglicano afirmou que esses comentários foram distorcidos e esclareceu que não está propondo sistemas jurídicos “paralelos”.

Horas antes de seu discurso ante o Sínodo, Williams recebeu o apoio do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que elogiou o arcebispo como “um homem de grande integridade”.

Os membros do Sínodo Geral afirmaram seu apoio ao primaz anglicano, assinalando que seus comentários não foram bem compreendidos.

As declarações do líder da Igreja Anglicana provocaram reações em todo o país.

Num discurso lido na noite de quinta-feira sobre a lei civil e religiosa no Alto Tribunal de Justiça, o arcebispo de Canterbury apoiou a introdução da sharia para melhor as relações com a comunidade muçulmana.

“Há margem para o que seria uma acomodação construtiva de alguns aspectos da lei muçulmana”, afirmou Williams.

Esas declarações fazem parte de um grande debate sobre o “modelo multicultural” do qual sempre se ufanou a sociedade britânica, mas que muitos criticaram depois dos atentados de julho de 2005, cometidos por muçulmanos britânicos.

O líder religioso já havia declarado, em entrevista à BBC, que os muçulmanos não deveriam ter que escolher “entre a lealdade ao Estado e a lealdade cultural”.

Fonte: Último Segundo