A Rússia proibiu as Testemunhas de Jeová de atuarem no país, depois que a Suprema Corte decidiu que os adeptos da religião fazem parte de uma “seita extremista”.

[img align=left width=300]https://thumbor.guiame.com.br/unsafe/840×500/smart/media.guiame.com.br/archives/2017/04/20/1753341841-testemunhas-de-jeova.png[/img]”O Supremo Tribunal decidiu sustentar a reivindicação do ministério da Justiça da Rússia e considerou o ‘Centro Administrativo das Testemunhas de Jeová na Rússia’ uma organização extremista, e proibindo suas atividades na Rússia”, disse o juiz Yuri Ivanenko.

“A propriedade da organização das Testemunhas de Jeová deve ser confiscada e entregue ao Estado”, acrescentou.

Uma advogada do Ministério da Justiça, Svetlana Borisova, disse que as Testemunhas de Jeová “representam uma ameaça aos direitos dos cidadãos, à ordem pública e à segurança pública”.

Os juízes ordenaram o fechamento da sede russa do grupo e 395 sedes locais, bem como a apreensão de suas propriedades (templos e terrenos).

Os advogados das Testemunhas de Jeová disseram que apelariam da decisão do Tribunal, que ainda não entrou em vigor e poderiam levar o caso ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

“Faremos o possível”, disse Sergei Cherepanov, representante das Testemunhas de Jeová no país, segundo a agência de notícias Interfax.

Seu centro administrativo, que tem 175.000 membros, havia sido previamente suspenso em março sob acusações de “atividade extremista”.

[b]Contexto[/b]

As Testemunhas de Jeová, que são conhecidas por sua atividade com pregações de porta em porta e pela distribuição de literaturas com mensagens teológicas, rejeitam algumas crenças fundamentais do cristianismo e têm mais de 8,3 milhões de membros em todo o mundo.

Originado nos Estados Unidos, o grupo religioso gerou certa “polêmica” com relação a posições oficias como a rejeição de transfusões de sangue e a oposição ao serviço militar, enfrentando processos judiciais em vários países.

Representantes disseram que centenas de pessoas se reuniram na Suprema Corte russa para ouvir o caso, que foi julgado em seis dias, resultantes de uma década de “ações agressivas”.

David Semonian, porta-voz da sede mundial da religião em Nova York, disse que o Ministério da Justiça “não tem base” para suas reivindicações.

Ele disse que a proibição colocaria os membros sob ameaça de processo criminal, se decidissem simplesmente orar juntos e que isso é uma “violação dos direitos humanos básicos”.

As Testemunhas de Jeová registraram-se pela primeira vez como grupo religioso na Rússia em 1991 e voltaram a registrar-se em 1999, mas foram alvo repetidamente das autoridades numa ampla repressão à liberdade religiosa.

A Rússia mudou sua definição legal de extremismo em 2006, eliminando os requisitos para a violência ou o ódio, mas apontando o “incitamento da … discórdia religiosa” como critério, deixando as Testemunhas de Jeová com o mesmo status legal do Estado Islâmico ou nazistas.

O site internacional do grupo foi bloqueado na Rússia há dois anos por suposto “extremismo” e a distribuição das ‘Bíblias’ do grupo proibidas no ano seguinte, enquanto um presidente local da religião foi preso por dois anos sob a acusação de disseminar uma “literatura extremista” em 2010.

A Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) foi um dos órgãos internacionais que condenou uma “campanha de assédio e maus-tratos, patrocinada pelo Estado contra as Testemunhas de Jeová”, que data dos anos 90 na Rússia.

O órgão enumerou as buscas policiais, assaltos, ataques de incêndios criminosos, vandalismos, apreensões e ataques a cultos, bem como a prisão de vários membros e investigações criminais.

[b]Fonte: Guia-me[/b]