“Alguns teriam dito que este acontecimento não era possível, mas aqui estamos, e o mundo se pergunta o que virá depois”, disse o secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Samuel Kobia, na abertura do Fórum Cristão Mundial, reunido em Limuru, próximo a Nairobi, no Quênia, de 6 a 9 de novembro.

Ao enfatizar em seu discurso o “alcance sem precedentes” deste acontecimento, Kobia dirigiu-se a uma platéia de 240 representantes de igrejas protestantes, anglicanas, ortodoxas, católicas, evangélicas, pentecostais, desafiando-os a correrem riscos.

O objetivo do fórum, que reúne o leque mais amplo de tradições cristãs jamais congregado em uma reunião mundial, pretende inaugurar um espaço aberto para que as igrejas cristãs e as organizações intereclesiásticas fomentem o respeito mútuo e analisem os desafios comuns.

“Assombra-me que temos aqui o que poderia ser descrito como um novo Pentecostes”, disse o pastor estadunidense das Assembléias de Deus e membro do comitê de continuação do Fórum Cristão Mundial, reverendo Cecil “Mel” Robeck.

O desafio atual é olhar “além de nossas peculiaridades e distinções, nossas divisões e conflitos, nossos receios e todos os temores que nos dividem e que fazem com que nos enfrentemos entre nós”, disse o secretário-geral do Conselho Nacional de Igrejas do Quênia, cônego Peter Karanja, ao fazer a reflexão do culto de abertura.

“Espero que nos arrisquemos a trabalhar juntos” e a cultivar “novas relações entre nós mesmos e entre nossas igrejas” para que “a unidade cristã possa ser fortalecida, com independência dos interesses de qualquer instituição individual”, afirmou Kobia.

Num testemunho pessoal, seguindo a metodologia e o estilo do Fórum, Kobia falou de seu próprio caminho de fé, que começou quando foi educado como cristão da segunda geração do Quênia rural e que continuou ao longo de diferentes etapas de conscientização ecumênica progressiva.

“Só reduzindo as barreiras, apresentando-nos de maneira completa ante os demais e enfrentando nossos preconceitos poderemos chegar a compreender consideravelmente melhor uns aos outros”, disse o secretário-geral do CMI.

“Já existe muita cooperação através das fronteiras em nível das bases, seja sobre questões de defesa de causas, a luta contra o HIV e a Aids ou outros desafios contemporâneos”, afirmou a chefe de equipe da Associação de Evangélicos na África, reverenda Judy Mbugua, ao dar as boas-vindas aos participantes da reunião.

Segundo o reverendo Mvume Dandala, secretário-geral da Conferência de Igrejas de toda a África, “oferecer mostras de unidade na diversidade é imprescindível, se os cristãos quiserem contribuir para sanar as fraturas do continente africano”.

Orando junto aos participantes da reunião, o pastor Jan Lenssen, da secretaria de ecumenismo da Conferência de Bispos Católicos do Quênia, rogou para que os presentes possam sentir a “conversão do coração” e “emocionar-se e participar no diálogo aberto” a partir do “desejo de estar em comunhão”.

Fonte: ALC