A ofensiva do governo para diminuir o consumo de bebidas alcoólicas atinge principalmente o segmento de cervejas, que movimenta R$ 20 bilhões por ano.

A cifra gasta por este setor com publicidade ultrapassa a marca dos R$ 900 milhões – sendo que a maior parte é aplicada na televisão. Em todo o país, são 22 milhões de consumidores da bebida.

Para o Ministério da Saúde, no entanto, as atenções têm que estar voltadas para a influência do álcool nas mortes nas estradas e seus prejuízos para os cofres públicos. Os números de uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que as mortes nas ruas e estradas decorrentes de álcool causam um prejuízo de mais de R$ 20 milhões por ano, levando em consideração despesas com seguro e a renda que a pessoa envolvida no acidente deixará de gerar, além do gasto do governo com tratamento médico.

O consumo de álcool, sustenta o ministério, é o principal problema de saúde pública. Os gastos do SUS com tratamento de dependentes de álcool em unidades extra-hospitalares chegaram a R$ 62 milhões nos últimos seis anos. No mesmo período, o governo gastou aproximadamente R$ 19,7 milhões em procedimentos hospitalares de internações relacionadas ao uso de álcool.

Segundo o ministério, morrem anualmente no país 17,5 mil pessoas decorrentes de acidentes de trânsito associados ao consumo de bebidas alcoólicas por motoristas e pedestres. Outro estudo do governo indica que pelo menos 150 mil brasileiros costumam dirigir após ingerir de quatro a cinco doses de bebida alcoólica.

“Por isso é que insisto que a medida é a fiscalização, a repressão do motorista, não dos comerciantes e do cidadão comum que não está no comando de um veículo e acaba privado de tomar sua cerveja”, reforça o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP).

Fonte: JB Online