O Sínodo das igrejas valdenses e metodistas da Itália afirmou nesta sexta-feira que o governo do país deveria acatar a sentença da Corte Europeia de Direitos Humanos e retirar crucifixos das salas de aula.

Para o grupo, reunido em Torre Pellice, na província de Turim, é “deplorável” o uso instrumental do objeto, que não pode ser considerado “símbolo da civilização e da cultura italianas”.

Em 3 de novembro de 2009, o tribunal europeu, com sede em Estrasburgo, sentenciou que a exposição de crucifixos em classes do país lesava os direitos dos pais de educar os filhos segundo suas próprias convicções religiosas e filosóficas.

O Sínodo “lamenta que o governo italiano, em vez de conformar-se com a decisão da Corte, tenha apresentado recurso à Grande Câmara” e espera que “as instituições europeias contribuam para reforçar as normas tuteladas pelos princípios de pluralismo e laicidade próprios de cada democracia”.

Entre as deliberações do encontro, as igrejas valdenses e metodistas anunciaram uma solicitação ao Parlamento local para instituir o dia 17 de fevereiro como “Dia da liberdade de consciência, de religião e pensamento”, em homenagem aos 150 anos da unificação da Itália, comemorada no ano que vem.

A data simboliza a ocasião, em 1848, em que o rei Carlos Alberto reconheceu os direitos civis dos valdenses e que, em 1600, foi queimado na fogueira Giordano Bruno, filósofo e escritor condenado por heresia nos tribunais da Inquisição.

[b]Fonte: Folha Online[/b]