Os ataques terroristas em Mumbai e a assinatura de acordo com o FMI, que atingirá de forma negativa a população pobre, marcaram a visita da equipe de Cartas Vivas, do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), ao Paquistão entre os dias 24 de novembro e 1 de dezembro.

Integrada por representantes de igrejas dos Estados Unidos, Armênia e dos Países Baixos, a equipe ecumênica visitou o Paquistão com o objetivo de inteirar-se sobre a função da igreja numa sociedade multirreligiosa que luta com o extremismo e a intolerância.

“Cartas Vivas” são pequenas equipes internacionais que viajam a países dos cinco continentes onde cristãos lutam para superar a violência. Até o final de 2010, serão realizadas viagens de Cartas Vivas em todo o mundo, no contexto da Década para a Superação da Violência, com o objetivo de preparar a Convocação Ecumênica Internacional pela Paz, agendada para 2011, em Kingston, na Jamaica.

Na avaliação dos integrantes de Cartas Vivas, os ataques terroristas a Mumbai ocorridos durante a visita ao Paquistão e a troca de acusações sobre os culpados da crise que assola o país aumentaram as já tensas relações inter-religiosas.

Acordo firmado recentemente pelo governo junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) em relação a um empréstimo de 7,6 bilhões de dólares para o Paquistão, reduziria drasticamente as subvenções destinadas especialmente à população mais necessitada.

Segundo informações recolhidas pela equipe de Cartas Vivas, a situação do Paquistão como Estado de fronteira na guerra contra o terrorismo tem conseqüências desastrosas para os cristãos locais. Nesse sentido, as incursões ao Paquistão das tropas de operações militares dirigidas pelos EUA no Afeganistão tornam a situação dos cristãos paquistaneses ainda mais precária.

A equipe esteve reunida com bispos da Igreja do Paquistão, com jovens ecumênicos, mulheres e grupos de clérigos, a fim de examinar a situação dos cristãos e os efeitos de determinadas leis draconianas junto às minorias e grupos vulneráveis.

Aos cristãos causa particular preocupação as leis sobre a blasfêmia e os castigos “Hudud”, por exemplo, em relação ao adultério, estabelecidos pela lei Sharia. A falta de sistemas jurídicos adequados nas aldeias e zonas tribais, associado às opiniões religiosas extremistas e as atitudes intolerantes, criam graves dificuldades aos cristãos, relataram os integrantes da delegação.

Em visita a uma igreja de comunidade de trabalhadores de olaria, a equipe encontrou-se com cristãos cujas condições econômicas podem ser caracterizadas como trabalho forçado. Apesar das precárias condições de vida, a equipe estimou que sua generosa hospitalidade era um “valioso presente”.

Na Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, instituição da sociedade civil, foi apresentada à equipe uma avaliação crítica da situação dos direitos humanos centrada principalmente nas minorias e nas situações adversas que enfrentam cotidianamente.

A equipe também se reuniu com diversos líderes muçulmanos para examinar o contexto mundial e a situação das relações entre cristãos e muçulmanos no Paquistão.

Fonte: ALC