O padre Júlio Lancelotti decidiu parar de celebrar missas publicamente na paróquia de São Miguel Arcanjo, em São Paulo, enquanto estiver sendo assediado a comentar as denúncias de corrupção de menores feitas pelo ex-interno da Febem Anderson Marcos Batista, 25, e por uma mulher que diz ter sido funcionária de uma instituição onde o padre trabalha.

De acordo com a Cúria Metropolitana, o afastamento foi decisão pessoal do padre e ele continua atuando na Casa Paroquial.

Devido à repercussão das acusações de abuso feitas contra o padre, há expectativa de que as investigações sejam transferidas da 5ª Delegacia Seccional para o Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital), subordinado só à Delegacia Geral da Polícia Civil. Segundo a Folha apurou, o delegado Emílio Françolim se reúne hoje com os delegados Marco Antônio Bernardino Santos e André Luiz Pimentel para discutir o assunto.

Os argumentos em favor da transferência seriam o suposto desconforto dos policiais em lidar com pessoa de prestígio internacional e as prováveis acusações de que a Polícia Civil estaria tentando desviar o foco de acusações contra policiais, como o delegado Pedro Pórrio –que é ligado à 5ª Seccional e suspeito de extorsão.

Na última sexta-feira (26), depois de ser preso, Batista afirmou ter feito sexo com padre Júlio em troca de dinheiro e, em oito anos, recebido mais de R$ 600 mil.

O padre acusa o ex-interno da Febem de extorquir dinheiro dele, com a ajuda da mulher, Conceição Eletério, 44, após alguns anos de ajuda voluntária. O padre relatou à polícia que repassou a Batista cerca de R$ 80 mil –primeiramente, falou em R$ 50 mil. No domingo, sua defesa admitiu que o valor pode chegar a R$ 150 mil.

Lancelotti afirma ter entregue o dinheiro por medo de ser agredido pelo grupo e, ainda, por crer que “poderia mudar as pessoas que o extorquiam”.

Nesta segunda-feira, a Polícia Civil encaminhou os autos do inquérito que investiga a denúncia de extorsão à Justiça.

No inquérito de corrupção de menores, a única testemunha é a mulher que diz ser ex-funcionária de uma instituição onde o padre trabalha e afirma tê-lo visto beijando um jovem.

Fonte: Folha Online