Evalda Gonçalves diz que religioso pretendia deixar fazenda para ela. Religioso teria deixado patrimônio avaliado em R$ 5 milhões.

A sobrinha do padre Roldão Gonçalves Rodrigues disputa com o filho do religioso uma herança que teria sido avaliada em R$ 5 milhões em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, em Minas Gerais. Evalda Gonçalves, que ocupa uma fazenda deixada por Rodrigues, questiona a validade do teste de DNA que teria comprovado que o padre é pai de Fabrício Augusto Nascentes.

“O teste foi feito sem testemunhas. Queremos um feito pela Justiça”, diz a sobrinha, que argumenta que o padre deixou um testamento dizendo que a fazenda deveria ficar para quem estivesse cuidando dele quando ele morresse – a própria Evalda.

Apesar disso, o problema não foi resolvido, já que o testamento não foi registrado em cartório nem tem a assinatura de três testemunhas. A sobrinha afirma que não houve tempo para finalizar o documento.

A sobrinha e o filho também divergem sobre o valor da fazenda. Ela diz que o local vale R$ 1,2 milhão, enquanto ele a avalia em R$ 5 milhões. O testamento anulado cita ainda uma casa na cidade de Unaí, que teria sido doada à igreja.

“Os padres moram lá dentro há mais de um mês e ainda não se manifestaram sobre um aluguel ou interesse em comprar a casa”, disse Fabrício. “Entramos com uma ação para investigação de paternidade com o pedido de herança”, completa o advogado do filho do padre.

O caso está na Justiça e, por enquanto, a herança fica com a irmã do padre –ela já se antecipou á decisão do juiz e deu 8 mil euros e uma caminhonete importada a Fabrício.

[b]Filho do padre[/b]

Fabrício, que é vendedor, procurava saber a real identidade do pai havia vários anos quando descobriu que era filho do padre Roldão, que trabalhou em uma igreja de Patos de Minas entre o final da década de 70 e início da década de 80. Durante esse tempo, ele teria tido um caso rápido com a mãe do vendedor.

“Em outubro, um sobrinho dele me procurou e me revelou toda a verdade. Eu perguntei a ele porque me contou e ele disse que a família estava brigando por causa da herança e não estavam entrando em acordo. Para evitar brigas entre eles, ele resolveu me contar”, afirmou o vendedor.

Com mais de 50 anos e envergonhada, a mãe de Fabrício não quis falar sobre o assunto. Porém, para o filho ela confirmou a história. “Depois que eu cheguei com o nome e revelei para minha mãe, ela confirmou. Disse que estudou na escola das irmãs ao lado da igreja e do escritório paroquial. Ainda segundo ela, só não me contou antes porque me traria transtornos durante a época escolar. Minha mãe foi uma pessoa que sofreu muito. Foi expulsa de casa porque há 30 anos não tinha mãe solteira. Imagine ser mãe solteira de um padre”, explicou.

Fabrício foi atrás de outras provas para confirmar a história. Como foi preciso um exame de reconhecimento de paternidade e o padre Roldão faleceu em agosto de 2010, ele teve que contar com a ajuda dos tios. Depois de muita insistência, dois irmãos do padre aceitaram doar sangue para o exame.

Com exame em mãos e o resultado positivo, Fabrício procurou um advogado para finalmente conseguir ter o nome do pai no registro de nascimento. Começou também uma batalha pelo patrimônio do pai.

[b]Fonte: G1[/b]