No dia 13 de outubro, um soldado paramilitar designado para proteger cristãos da violência em Kandhamal, Estado de Orissa, na Índia, foi golpeado e assassinado por uma quadrilha na vila de Sisapanga.

O corpo do soldado da Reserva da Força Policia Central (RFPC) foi encontrado em uma floresta próxima à vila. Acredita-se que ele tenha sido morto a golpes pelos aldeões durante a maior onda de violência contra os cristãos da História recente da Índia.

“A polícia descobriu o corpo na noite da segunda-feira, dia 13 – o soldado tinha feridas no torso e na cabeça”, disse o superintendente de polícia do distrito, Praveen Kumar.

“Aparentemente, ele foi espancado com porretes e morto por um objeto pontiagudo”. A vila de Sisapanga está sob a jurisdição da polícia de Raika.

Segundo Praveen, enquanto um dos homens conseguiu escapar sem ferimentos, o outro foi morto durante o ataque.

“O soldado foi a Sisapanga acompanhado de um motorista para comprar mantimentos. Um grupo de seis ou sete homens o atacou pelas costas, levou-o até a floresta e o golpeou até a morte”, disse Praveen ao jornal The Times of India (TOI). “O motorista teve a sorte de escapar.”

É a primeira vez que alguém da força de segurança do país é alvo da violência em Orissa.

“O assassinato do jawan (soldado) da RFPC acontece no momento em que os pedidos de retirada da força paramilitar começam”, disse um representante da polícia ao TOI. “A RFPC prendeu muitas pessoas, a maioria delas pertencente a tribos, nas últimas duas semanas.”

Uma fonte do local que prefere permanecer anônima disse ao Compass que os agressores avisaram às autoridades, através da mídia, que matariam mais soldados da RFPC se as forças não retrocedessem.

Promessas

No dia 11 de outubro, em meio a várias promessas de proteção por parte do governo, uma quadrilha derrubou um edifício da Igreja do Norte da Índia, na vila de Sikuli, no distrito de Kalahandi. No mesmo dia, o grupo queimou duas casas de cristãos na vila.

Duas mulheres que tiveram suas casas incendiadas por extremistas hindus acabaram morrendo. Minakshi Pradhan, de 22 anos, contraiu malária e tifóide depois de fugir para um campo de refugiados, foi admitida ao hospital MKCG Berhampu aonde veio a falecer no dia 16 de outubro.

“Minakshi deixou um filho de quatro anos”, disse uma testemunha que prefere permanecer no anonimato. Minakshi e seu esposo Anand Pradhan, que sobreviveu ao evento, eram da vila de Murudipanga.

A outra mulher, Mili Pradhan, foi diagnosticada com um tumor no estômago depois de sua casa ter sido incendiada no dia 29 de agosto e ela e o marido terem de fugir para Berhampur. Em meio à operação, os médicos diagnosticaram leucemia, e ela morreu no mesmo hospital de Minaksho no dia 15 de outubro. Mili deixa uma filha de 18 meses.

O Ministro-Chefe de Orissa, Naveen Patnaik, disse em uma entrevista ao canal NDTV de televisão que metade das mil pessoas presas no Estado por causa dos motins pertence aos grupos extremistas hindus Bajrang Dal e Vishwa Hindu Parishad (VHP). Naveen acrescentou que considera o Bajrang Dal um grupo fundamentalista.

Em reação, Subash Chouhan, co-coordenador nacional do Bajrang Dal, disse, “o fundamentalista na verdade é Naveen Patnaik, e não o Bajrang Dal. O ministro está tentando mostrar seu caráter secular, tentando implementar os interesses das organizações cristãs”.

A polícia de Orissa prendeu um dos “mais procurados” dos motins anticristãos do distrito de Kandhmal.

Segundo notícias, Manoj Pradhan, um líder tribal chave, foi preso em um apartamento em Berhampur na noite de 15 de outubro.

“Enquanto investigamos o caso, estamos descobrindo que é um dos mais complicados que já tivemos”, disse o inspetor-geral de polícia, Arun Ray, à mídia. “Identificamos os autores dos crimes, prendemos pessoas e prenderemos outras”.

Fonte: Portas Abertas