O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à reeleição, recebeu nesta sexta-feira, 8, apoio de pastores e líderes da Igreja Assembléia de Deus.

“Saio daqui mais uma vez gratificado, agradecendo a Deus por este dia. Valeu viver até o dia de hoje para saber que os evangélicos não têm nenhuma dúvida em relação ao presidente Lula e o presidente não tem dúvida em relação aos evangélicos. Somos todos crentes e amamos este País”, disse Lula antes de receber as orações coletivas dos pastores que estão reunidos na Catedral das Assembléias de Deus, em Santa Cruz.

Lula disse também que “o Brasil não pode ser governado como se o povo fosse apenas um número estatístico, mas sobretudo como a força do batimento do coração da gente”. Ele afirmou que há segmentos da sociedade que “começam a duvidar do povo, querem criar um novo povo”, e disse que esta posição de querer um povo diferente para o País lembra o comportamento de Adolf Hitler. A crítica foi feita um dia depois de o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ter divulgado, no site do PSDB, uma carta na qual culpa Lula pela “podridão” e faz uma autocrítica em relação à atuação do PSDB no combate à corrupção.

Lula afirmou que se for reeleito com a experiência e aprendizado que teve no governo “poderemos fazer infinitamente mais, incomodando aqueles que vocês sabem que estamos incomodando”.

O presidente da Convenção Nacional das Assembléias de Deus Ministério de Madureira (Conamad), Bispo Manoel Ferreira, candidato do PTB a deputado federal, disse que a congregação que lidera decidiu apoiar Lula “dentro do posicionamento de somar todos os esforços para que vossa excelência saia vencedor no primeiro turno”.

Segundo o Bispo Ferreira, “solenemente, publicamente, estamos manifestando nosso apoio e pedidos de esforços a todos, em todo o País, para que sua excelência possa ser vitoriosa em 1º de outubro”. A Conamad reúne cerca de 6 milhões de fiéis.

O bispo declarou apoio a Lula após ler, emocionado, o provérbio “Abre a boca a favor do mudo pelo direito de todos que se acham desamparados”. O bispo disse também que a origem do presidente Lula pesou na escolha de sua preferência como candidato. Lula retribuiu os afagos e lembrou que, apesar do antagonismo “que durante muito tempo se criou” entre ele e os evangélicos, no seu governo foi aprovada a lei que reconhece o direito de as igrejas se constituírem como entidade jurídica de direito privado e com plena liberdade de culto.

O presidente citou o nome de Deus e o povo em vários momentos no emocionado discurso que fez na catedral. “Estamos aprendendo que Deus escreve certo por linhas tortas, atento para tudo, e que as coisas acontecem quando tem que acontecer”, afirmou ao comemorar, segundo ele, o seu primeiro encontro com evangélicos, sem intermediários. “Eu digo sempre que, se tem um ser humano que tem que olhar todo dia para o céu e agradecer a sua generosidade, sou eu. Deus foi bem generoso”.

Ele não comentou as críticas das quais foi alvo na quinta-feira da candidata do PSOL à Presidência, Heloísa Helena, que chegou a chamá-lo de gângster, e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que divulgou uma carta aberta publicada no Estado e no site do PSDB com críticas ao atual governo. “Por que vocês não perguntam sobre isso aqui?”, disse Lula aos jornalistas, após falar sob aplausos para os pastores.

EVANGÉLICOS

O encontro marcou a aproximação política de Lula das igrejas evangélicas, que, antes do seu governo, lhe faziam oposição. No passado, Lula foi acusado de, em caso de ser eleito presidente, querer fechar as igrejas.

Em 2002, no segundo turno, o bispo Manoel Ferreira, presidente da Conamad que convidou o presidente para apoiá-lo no encontro de hoje, levou a entidade a apoiar o tucano José Serra, em troca da condenação da união civil entre homossexuais e da legalização do aborto. Hoje, recebeu Lula com um discurso emocionado e lendo um texto bíblico, Provérbios, 31, versículo 8: “Abre a boca a favor do mudo, pelo direito de todos os que se acham desamparados”.

Na breve saudação ao candidato, Ferreira, candidato a deputado federal pelo PTB, disse que, na decisão da Conamad de apoiar Lula, pesou a “origem social” do presidente. “Achamos que Vossa Excelência é o homem que mais se identifica com os pobres”, disse ele, lembrando os programas Fome Zero e Bolsa Família.

Em seu discurso, marcado por referência a Deus, à sua fé religiosa, à instituição familiar e até à sua mãe, dona Lindu, Lula chegou a chamar os presentes, em sua maioria pastores presidentes de Assembléias de Deus, de “companheiros”, e lembrou os desentendimentos do passado.

Ele lembrou a aprovação da lei 10.825/2003, que reconhece direito de as igrejas se constituírem como pessoas jurídicas de direito privado. “Quis Deus que eu fosse eleito presidente da República e fosse eu que criasse a lei estabelecendo definitivamente a liberdade religiosa neste país”, afirmou. Depois do discurso, os religiosos fizeram uma rápida oração, que o presidente, contrito, ouviu com os olhos fechados a maior parte do tempo.

Fonte: Estadão e A Tarde Online