O primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, quer a ajuda dos padres católicos do país para acabar com a sonegação fiscal, um crime responsável por privar o governo de verbas das quais precisa desesperadamente.

“Um terço dos italianos sonega uma grande parte de seus impostos”, afirmou Prodi, em uma entrevista à importante revista católica Famiglia Cristiana. As declarações do premiê ganharam grande repercussão nos jornais de quarta-feira.

“Por que, quando vou à missa, essa é uma questão quase nunca citada nas homilias?”

A Itália registra o maior déficit público da Europa em termos absolutos. O governo estima que a sonegação fiscal gire em torno de 7 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) do país, ou cerca de 100 bilhões de euros (137 bilhões de dólares) por ano.

Segundo as autoridades italianas, esse coeficiente de sonegação é quase duas vezes maior do que aquele de países como a França, a Alemanha e a Grã-Bretanha e quase quatro vezes a de países como a Áustria, a Holanda e a Irlanda.

Um líder católico italiano afirmou que, ao mesmo tempo em que a Igreja encoraja o pagamento de impostos, o governo também precisa, caso espere ter mais cooperação, mostrar aos contribuintes que gasta o dinheiro arrecadado de forma adequada.

“Se, em alguns momentos, a Igreja mostra-se cautelosa a respeito desse assunto, isso se deve ao fato de o sistema tributário nem sempre parecer justo”, disse ao jornal Corriere della Sera Bruno Forte, arcebispo da diocese italiana de Chieti-Vasto (região central).

A campanha de Prodi no combate à sonegação transformou-se em um dos marcos de seu governo, que conta atualmente com baixos índices de popularidade. Segundo a atual liderança italiana, a campanha é um dos motivos pelos quais a arrecadação de impostos aumentou 6 por cento na primeira metade de 2007.

O premiê, pressionado para diminuir os impostos, sugeriu que um número excessivo de italianos continua mentindo a respeito de suas rendas. Prodi perguntou se era razoável que apenas 300 mil contribuintes — de um total de 40 milhões — tenham ganhado mais de 100 mil euros por ano.

Fonte: Reuters