O grupo talibã que mantém 21 voluntários da Coréia do Sul seqüestrados no Afeganistão negou hoje que vá libertar as duas reféns doentes como foi comunicado neste sábado, informou a agência sul-coreana de notícias “Yonhap”.

“Os líderes talibãs mudaram de idéia e não libertarão as duas reféns”, disse o porta-voz talibã Yousef Ahmadi, em conversa por telefone com a “Yonhap”.

A notícia contrasta com as declarações deste mesmo porta-voz, que horas antes assegurou que os talibãs tinham libertado de maneira “incondicional” duas cidadãs sul-coreanas, retidas junto com 19 de seus compatriotas, há três semanas.

No entanto, Ahmadi disse hoje que o plano de libertar as duas reféns segue vigente e sugeriu à “Yonhap” que isso pode acontecer entre a tarde e a noite deste domingo.

O Governo sul-coreano, por enquanto, mantém a cautela e não fez declarações sobre a situação dessas duas reféns.

Ontem, os talibãs anunciaram a libertação das duas sul-coreanas que estão doentes em um “gesto de boa vontade”, após dois dias de negociações diretas com representantes de Seul na cidade afegã de Ghazni.

O porta-voz talibã, no entanto, declarou hoje à “Yonhap” que as duas reféns voltaram, quando já estavam a caminho da sede do Crescente Vermelho de Ghazni, depois de a direção rebelde mudar sua decisão de libertá-las.

“Parece que houve alguma confusão e um mal-entendido”, acrescentou Ahmadi, que precisou que foi dada marcha à ré no plano de libertar as reféns.

Nesta sexta-feira, uma missão sul-coreana deslocada no Afeganistão para buscar a libertação dos reféns se reuniu pela primeira vez com o grupo talibã na cidade de Ghazni, sul do país.

Vinte e três cidadãos sul-coreanos foram seqüestrados em 19 de julho, e dois foram executados dias depois que o Governo afegão se negou a cumprir as exigências do grupo insurgente, que quer a libertação de presos.

Até agora, os talibãs tinham exigido ao Governo afegão que soltasse seus presos rebeldes em troca da libertação dos missionários sul-coreanos, dos quais 18 são mulheres.

Porta-voz talibã atribui anúncio errôneo de libertação a falha de comunicação

O porta-voz talibã Mohammed Yousif Ahmadi atribuiu a uma falha de comunicação o anúncio errôneo deste sábado sobre a libertação de duas reféns sul-coreanas que continuam em poder dos insurgentes.

O conselho supremo talibã “decidiu libertar as duas reféns doentes, mas o momento de sua libertação ainda não foi decidido”, disse Ahmadi à Efe.

O porta-voz afirmou que, por causa das más comunicações, houve um “mal-entendido” ontem quando conversou com o conselho.

Isso o levou a informar erroneamente à imprensa que as duas mulheres já tinham sido postas em liberdade.

Posteriormente, o comandante talibã na província de Ghazni, Abdullah Abu Mansoor, que assegura que tem os reféns em seu poder, disse à agência afegã “Pajhwok” que as missionárias sul-coreanas seriam libertadas hoje.

O anúncio da libertação “incondicional” das duas mulheres chegou após dois dias de negociações diretas entre uma delegação talibã e outra chegada da Coréia do Sul realizadas na cidade de Ghazni, capital da província centro-oriental de mesmo nome, onde os missionários sul-coreanos foram seqüestrados.

Segundo Ahmadi, espera-se que as negociações continuem hoje e a parte talibã seguirá insistindo em sua reivindicação de libertação de oito prisioneiros em uma primeira fase de troca pelos reféns.

Os insurgentes afegãos seqüestraram 23 missionários cristãos, a maioria mulheres, em 19 de julho, quando estes viajavam de ônibus pela perigosa estrada que liga Cabul e a Kandahar.

Após exigir a retirada de tropas sul-coreanas do Afeganistão (anunciada para o final deste ano) e a libertação de seus presos, os talibãs executaram dois dos seqüestrados no fim de julho.

Fonte: EFE