Os talibãs anunciaram nesta terça-feira a libertação, nos próximos dias, dos 19 evangélicos sul-coreanos mantidos reféns há seis semanas no Afeganistão em troca da retirada dos 200 soldados de Seul antes do fim do ano, como estava previsto antes mesmo do seqüestro.

No entanto, a Coréia do Sul prometeu que a partir de agora vai impedir o envio inúmeros missionários cristãos sul-coreanos ao país.

“Os reféns serão libertos em três ou quatro dias”, confirmou à AFP Mohammad Zahir, um chefe tribal e mediador-chave das negociações entre enviados talibãs e diplomatas sul-coreanos.

As negociações diretas entre a delegação de Seul e os representantes talibãs foram retomadas hoje, depois de duas semanas de interrupção.

“O acordo prevê que a Coréia do Sul vai retirar suas tropas daqui até o fim do ano e impedirá a atividade dos missionários cristãos”, confirmou em Seul o porta-voz da presidência, Cheon Ho-Seon.

A retirada do pequeno contingente sul-coreano da coalizão dirigida pelo exército americano foi anunciada bem antes do seqüestro dos missionários.

Os islamitas ainda devem decidir se eles libertarão os reféns todos juntos ou em pequenos grupos, detalhou o negociador talibã.

Negociação

Os talibãs abandonaram a reivindicação que apresentavam como condição não negociável pela libertação de seus reféns, exigência que já os fez matar dois sul-coreanos: a liberdade concedida por Cabul de um número equivalente de talibãs detidos em prisões afegãs, o que foi categoricamente negado desde o início pelo presidente afegão Hamid Karzai.

Cabul foi veementemente criticada em março por Washington e também pela opinião pública afegã pela libertação de cinco comandantes talibãs em troca do jornalista italiano Daniele Mastroggiacomo, enquanto nada foi feito para salvar seus dois acompanhantes afegãos decapitados por seus seqüestradores.

“Nós percebemos que o governo sul-coreano não teria como” fazer as autoridades afegãs cederem, revelou à AFP um dos negociadores com uma delegação de Seul.

Qari Bashir também garantiu que os talibãs não atacariam as tropas sul-coreanas até a sua retirada, mas exigiu que todos os sul-coreanos que trabalham em ações humanitárias no Afeganistão deixem o país “em três ou quatro dias”.

Entenda o caso

Os talibãs seqüestraram 23 membros de uma igreja evangélica sul-coreana em 19 de julho, no sul do país. Eles executaram dois homens no fim de julho e liberaram duas mulheres doentes em meados de agosto.

Os talibãs mantêm cativos também, desde 18 de julho, um refém alemão, o engenheiro Rudolf Blechschmidt, de 62 anos, que está em péssimo estado de saúde, assim como quatro de seus colegas afegãos. Os militantes exigem a libertação de seus prisioneiros para libertar estes reféns.

Os talibãs mataram, pouco depois do seqüestro, um segundo engenheiro alemão do mesmo grupo.

Fonte: Portas Abertas