Nenhuma rede de televisão holandesa exibirá o filme do deputado de extrema-direita Geert Wilders no qual critica o Corão e a religião muçulmana, pois o parlamentar exigiu às cadeias que, como condição indispensável para que vissem o material antecipadamente, deveriam se comprometer a exibi-lo integralmente.

As televisões pediram ao deputado que permitisse ver antecipadamente o filme, de 15 minutos de duração, para poder decidir se o exibiriam de forma integral, segundo indicou o jornal “De Volskrant”.

No entanto, Wilders não aceitou esse pedido, a menos que as televisões lhe prometessem de antemão que, depois de verem a produção, a exibiriam.

As cadeias de televisão rejeitaram esta exigência, que consideraram “irreal”.

“Seria como autorizar às cegas uma transmissão”, explicou Carel Kuyl, redator-chefe do programa de opinião Nova, transmitido na televisão pública.

Wilders apresentará seu curta-metragem “Fitna” (uma palavra árabe que significa desordem, caos, enfrentamento ou calvário), em entrevista coletiva que será realizada no centro internacional de imprensa de Haia-Nieuwspoort, e também através do site http://www.fitnathemovie.com/.

A direção do centro de imprensa de Nieuwspoort decidiu na noite da última quarta-feira permitir a Wilders realizar ali sua entrevista coletiva, embora ainda tenha que negociar com o deputado as medidas de segurança que serão aplicadas no evento.

Segundo a imprensa holandesa, a entrevista coletiva poderia acontecer no dia 28 de março, embora a data ainda não tenha sido confirmada pelo próprio Wilders.

O filme é uma crítica aberta ao Corão, livro que o deputado considera que incita a violência.

Diferentes organizações muçulmanas na Holanda denunciaram Wilders por ter comparado o Corão com o livro “Mein Kampf”, de Adolf Hitler, mas o Ministério Público ainda estuda se nessas declarações do político há indícios de crime.

Fonte: EFE