O lugar de nascimento de Cristo recebe uma multidão de peregrinos e turistas há várias semanas.

A Terra Santa, berço do cristianismo, se preparava nesta sexta-feira para celebrar o Natal no coração de uma região em luto pelo massacre e fuga de cristãos do Iraque e condicionada, mais uma vez, à paralisia do conflito israelense-palestino.

Na cidade palestina de Belém, o patriarca latino de Jerusalém, monsenhor Fuad Twal, presidirá a partir das 21H00 GMT (19H00 de Brasília) a tradicional missa do Galo na igreja de Santa Catarina, ao lado da basílica da Natividade, na presença do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.

Belém deve receber quase 1,5 milhão de visitantes em 2010 e a Terra Santa mais de três milhões (um número recorde), segundo estatísticas palestinas.

Fuad Twal celebrou nesta semana, em sua mensagem de Natal, o resultado, que segundo ele “reflete a dimensão universal de Jerusalém, de Belém e de Nazaré”.

Mas também recordou “os sofrimentos e as inquietações que permanecem”, a primeira delas o destino dos cristãos no Iraque, que fogem do país desde o último massacre em Bagdá.

No dia 31 de outubro, um ataque reivindicado pela Al-Qaeda contra uma igreja siríaca católica de Bagdá matou 44 pessoas e dois padres, provocando o posterior êxodo de milhares de cristãos do Iraque, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Atualmente vivem no Iraque meio milhão de cristãos, contra entre 800.000 e 1,2 milhão em 2003.

O Papa Bento XVI, que também manifestou temor a respeito da situação dos cristãos no Oriente Médio, presidirá a celebração de meia-noite no Vaticano.

Em uma mensagem de rádio divulgada nesta sexta-feira pela BBC britânica, Bento XVI afirmou que “Deus “sempre é fiel a suas promessas”, mas que pode “surpreender” pela forma de cumpri-las.

O Sumo Pontífice citou como exemplo o fato de que “os filhos de Israel esperavam o messias que Deus havia prometido e o imaginavam como um grande dirigente que os libertaria da dominação estrangeira”, na época em que a Terra Santa formava parte da Império Romano.

“Mas Deus lhes surpreendeu porque foi um menino, Jesus, que veio para salvá-los”, completou.

O Papa, que fez sua primeira visita à Grã-Bretanha há três meses, a primeira de um chefe da Igreja Católica a este país desde o cisma anglicano, no século XVI, concluiu a mensagem desejando um “feliz Natal” aos ouvintes.

A respeito da Terra Santa, monsenhor Fuad Twal manifestou o “sofrimento” com o bloqueio nas negociações de paz israelense-palestinas, mas insistiu que o “fracasso não deve nos deixar na desesperança”.

As negociações entre Israel e os palestinos estão paralisadas desde o fracasso dos Estados Unidos para conseguir uma nova colonização judaica.

“Continuamos acreditando que existem homens de boa vontade nas duas partes do conflito e na comunidade internacional, que disponibilizarão suas energias em comum”, completou o prelado católico.

Na área da segurança, o Exército israelense recebeu a ordem de facilitar, durante as festas de Natal, a passagem dos peregrinos cristãos pelos postos de controle, incluindo os palestinos dos territórios ocupados e os árabes israelenses.

A cidade de Belém, onde nasceu Jesus segundo a tradição cristã, fica além da barreira de segurança construída por Israel na Cisjordânia ocupada.

As autoridades israelenses decidiram conceder permissões especiais aos cristãos palestinos dos territórios ocupados (7.000) e de Gaza (500), para que possam visitar Belém e suas famílias instaladas em áreas normalmente proibidas.

Pela primeira vez, Israel autorizou 200 cristãos procedentes de países árabes com os quais não mantém relações diplomáticas (exceto Egito e Jordânia) a entrar no território israelense através da fronteira jordaniana.

[b]Fonte: AFP
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