Sob o título “Atitudes políticas de líderes evangélicos a partir das reformas constitucionais em 1991 que deram reconhecimento jurídico às igrejas”, o professor Mariano Ávila apresentou tese de doutorado em Ciências Sociais, com especialidade na área Relações de Poder e Cultura Política, pela Universidade Autônoma Metropolitana, no México.

A pesquisa é baseada, primordialmente, em acontecimentos ocorridos no governo de Carlos Salinas de Gortari (1988-1994).

O autor entrevistou 65 a líderes do espectro evangélico, desde presidentes das chamadas igrejas históricas até dirigentes pentecostais, neopentecostais e de mega-igrejas. Ávila estudou o comportamento político-eleitoral das comunidades evangélicas, com ênfase na Igreja Nacional Presbiteriana do México, uma das mais antigas e numerosas do país.

Doutor em Teologia pelo Seminário Westminster, da Filadélfia, professor de Novo Testamento no Seminário Calvino, de Grand Rapids, Michigan, e ex-reitor do Seminário Presbiteriano do México, Ávila assinalou em sua exposição que se propôs a descrever e contrastar as posturas das “hierarquias” e das lideranças médias. A tese também destaca o interesse de muitos líderes evangélicos em participar no terreno político, desde a gestão social até a negociação para obter candidaturas.

No turno de perguntas, o professor Rodolfo Casillas referiu-se ao papel efetivo dos crentes evangélicos na sociedade e a necessidade de superar a visão de que as igrejas só despertam o interesse pela política diante de processos eleitorais. O professor da FLACSO perguntou se as igrejas estão preparadas para viver na democracia. Casillas disse que essa tese abre uma “caixa de Pandora” no campo da investigação para que outros estudiosos levem a cabo estudos mais específicos a partir de diversas perspectivas.

Ávila reconheceu que as igrejas precisam fazer uma reaprendizagem democrática junto a muitos setores sociais. Ele esclareceu que a tese trata de desmentir a possibilidade de oferecer dados de votos “garantidos” aos partidos já existentes, pois o país está imerso num longo processo de superação de práticas e hábitos corporativistas.

O doutorando insistiu na importância da canalização de vozes novas e informadas no interior das igrejas para alertá-las e assim poder superar a ingenuidade de muitos líderes e membros das associações religiosas, figura jurídica atribuída às igrejas, introduzida pela Constituição de 1992.

O pesquisador falou da enorme surpresa que significou constatar estatisticamente a virada direitista do voto evangélico em 2000, uma vez que por décadas essas igrejas se identificaram com o Partido Revolucionário Institucional (PRI). Nesse sentido, destacou a atuação de intelectuais evangélicos como Adolfo García de la Sienra e Hugo Eric Flores.

O orientador da pesquisa, Manuel Canto, chamou a atenção para o fato de que as autoridades encarregadas do registo das igrejas continuam acreditando que o trato com as mesmas só é possível a partir do trato com as cúpulas, o qual obriga as igrejas a se afastarem desse comportamento corporativista.

A tese é divida em sete capítulos. O primeiro expõe os elementos centrais do marco teórico (relação sociedade-indivíduo, tradição-modernidade e secularização); o segundo contém os conceitos descritivos das relações Igrejas-Estado no Ocidente e sua relevância para o caso mexicano; o terceiro propõe as perspectivas históricas das relações entre as igrejas evangélicas e o Estado mexicano; o quarto é um panorama do que aconteceu no Peru, Chile e Brasil e as lições que dali se desprendem; o quinto faz uma “Análise de atitudes políticas de líderes evangélicos” e é constituído pelas entrevistas a políticos, funcionários e líderes de diversas organizações e igrejas; o penúltimo capítulo é a pesquisa de opinião entre líderes evangélicos durante as eleições presidenciais de 2000; e o sétimo, as conclusões e cenários para o futuro. A tese será publicada em breve.

Fonte: ALC