Segundo fiéis, “foi tudo muito rápido”; maioria diz que conseguiu escapar pelas saídas de emergência da lateral da igreja. Uma das feridas diz que o desespero maior era das mães, já que as crianças costumam aguardá-las em uma sala separada no templo.

“Imagine um isopor. Imagine que alguém dá um soco neste isopor. Foi assim o teto caindo”, relatou Cássia Novakoski, 17, que estava embaixo das escadarias da sede da Igreja Renascer, no Cambuci, região central, na hora em que o teto do prédio desabou. Ela teve luxação em um dos braços.

Com a maquiagem borrada pelo choro e arranhões pelo corpo, a estudante Rebeca Del Corso Consolo, 15, aguardava notícias de sua irmã Evelise, 17, na sala de espera do pronto-socorro do hospital Vergueiro, na zona sul de São Paulo, uma das unidades que receberam mais vítimas, ao menos 17, sendo uma delas em estado grave.

“Ela desmaiou e teve reflexos, gritos”, conta Rebeca, sobre o traumatismo craniano sofrido pela irmã. As duas estavam entre os fiéis presentes no templo no momento do desabamento do teto, que aconteceu por volta das 18h55.

No hospital Cruz Azul, que fica na rua de trás do templo, familiares e feridos se concentravam na calçada após receberem atendimento.

Atendida no Cruz Azul com ferimentos na cabeça, a arquiteta Maricelma Valdambrini, 47, disse que fazia uma oração perto do altar quando foi atingida por parte do teto. Ela afirmou que não era possível enxergar quase nada ao seu redor, mas que conseguiu sair por uma das portas de emergência na lateral, com acesso ao estacionamento.

Rápido

“Estou me sentindo o monstro das neves”, disse Cecia Alexandrino, 40, que trabalha em um salão de beleza e tinha a cabeça envolta por um grande curativo e manchas de sangue na roupa. “Rasparam uma parte da minha cabeça para dar os pontos.” Ela conta que não teve tempo de gritar porque foi tudo muito rápido. “Nem sei o que foi que caiu na minha cabeça.”

Cecia conta ainda que o desespero maior foi das mães que estavam no local, já que é costume que as crianças pequenas aguardem os pais enquanto estão nas celebrações em uma sala separada, chamada escolinha. Como o culto já estava terminando, muitos filhos já saíam dessa sala no momento do desabamento e, até o fechamento desta edição, crianças foram atendidas apenas com ferimentos leves.

Ajuda

“Dei sorte porque estava na porta, de saída”, disse Priscila Alves, 30. “Ninguém ouviu nada. De repente tudo caiu. Não deu tempo de fazer nada.” Segundo ela, os fiéis que conseguiram escapar puderam ajudar quem estava perto da saída, mas não era possível alcançar os frequentadores que estavam no meio do templo. Eles tiveram de esperar a chegada dos bombeiros.

Um adolescente de 19 anos, que preferiu não se identificar, disse que tinha sido assistido ao culto das 15h. Por volta das 19h, ele recebeu um telefonema do pai contando o que acontecera e resolveu voltar ao local. “Cheguei lá e fiquei assustado com o que vi, mas a maior preocupação era com a minha família. Depois que vi que estavam todos bem, fiquei ajudando a carregar água para os feridos e a fazer cordões de isolamento”.

Seu pai, que estava na igreja quando o teto desabou e também não quis se identificar, disse que foi tudo muito rápido. “Se tivesse feito barulho, teria alertado o pessoal”, diz ele, que conta ter fugido por uma das novas portas de emergência do templo, “que foi reformado há pouco tempo”, segundo ele.

“O pessoal é muito cuidadoso com estas coisas. O telhado havia sido reformado. As telhas eram todas novas. A igreja tem Habite-se e documentação, são todos muito cuidadosos”, afirmou. A Igreja Renascer nega que a reforma da sede da Lins de Vasconcelos tenha sido efetuada.

Fonte: Folha de São Paulo