A Suprema Corte do Texas avaliou, nesta quinta-feira, que a retirada das 468 crianças que viviam em uma seita poligâmica sob alegação de que corriam risco de serem vítimas de abuso é infundada.

O anúncio ratificou a decisão tomada por uma Corte de Apelações do Texas em 22 de maio, segundo a qual as autoridades não tinham o direito de tirar as crianças da seita, já que não se provou que elas estavam em perigo iminente.

Os serviços texanos de Proteção da Infância recorreram à Suprema Corte estadual, apelando da decisão anterior, sob a alegação de que seria irresponsável deixar as crianças na seita e de que os testes de DNA ainda não tinham sido concluídos.

O caso poderá ser levado à Suprema Corte americana, afirmam alguns observadores, o que significa que ainda não é certo que as crianças voltarão, imediatamente, para suas famílias.

Até o momento, elas estão sendo mantidas em abrigos. As audiências começaram nesta semana para encontrar uma solução para cada uma delas.

Na semana passada, um juiz do Estado disse que o Texas cometeu um erro ao resgatar as crianças e adolescentes.

A decisão é favorável às 38 mulheres pertencentes à Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (FLDS, sigla em inglês), dissidentes dos mórmons. Elas haviam apelado da decisão de um juiz distrital que concluiu, no mês passado, que as crianças ficariam sob custódia do Estado.

Seita

O rancho da seita, em Eldorado, foi descoberto depois da denúncia de uma jovem de 16 anos que teria sido forçada a se casar com um homem mais velho.

Na ligação à polícia, a jovem contou que havia sido obrigada a se casar com Dale Barlow, um homem de 49 anos, e que era vítima de violência. De acordo com a jovem, ela seria a sétima mulher de seu marido, já havia tido uma criança e acreditava estar grávida de novo.

Um total de 168 mães e 69 pais das crianças foram identificados por meio de testes de DNA.

Os membros do FLDS negam a existência de abusos físicos e sexuais no local, e dizem que são perseguidos devido às suas crenças religiosas.

O líder da seita, Warren Jeffs, está preso no Estado de Utah, acusado de cumplicidade com um crime de estupro, em conexão com um casamento que ele celebrou em 2001. Ele também enfrenta acusações por manter relações com uma adolescente e por incesto.

Fonte: Folha Online