Katharine Jefferts Schori tornou-se neste sábado, 4 de novembro, a primeira mulher primaz da Igreja Episcopal, a igreja anglicana americana, durante cerimônia que reuniu 3.200 fiéis, bispos e representantes de outras religiões na catedral de Washington. Ela espera revitalizar as paróquias episcopais, depois de anos de perda de fiéis, e levar adiante as obras sociais da Igreja.

“Sim, nós o faremos”, disse em uma só voz a multidão de fiéis em resposta a uma pergunta sobre se fariam tudo “para apoiar Katharine em seu ministério” na qualidade de 26° primaz desta igreja que reúne 2,3 milhões de membros nos Estados Unidos.

Schori, uma cientista de 52 anos, foi eleita em junho, numa votação apertada, a primeira chefe da igreja anglicana americana em 500 anos – uma decisão que abalou ainda mais a divisão nesta comunidade cristã conturbada pela nomeação recente de um bispo homossexual.

Até então bispo da diocese de Nevada (oeste), Katharine Jefferts Schori, emocionada, mas calma, com uma tiara púrpura e malva, foi calorosamente recebida na austera catedral em meio à apresentação de um coral da Filadélfia (Pensilvânia, leste), constatou a AFP.

Estavam presentes uma centena de bispos episcopais americanos e 20 outros de comunhão anglicana no mundo, entre eles representantes de Brasil, Canadá, Austrália, Paquistão, Japão, Tanzânia assim como o enviado du chefe espiritual da Igreja anglicana no mundo, o arcebispo de Canterbury. A Igreja anglicana foi formada no século XVI depois da ruptura com o papa de Roma.

Havia também membros de outras religiões, em especial budistas, muçulmanos, o secretário para assuntos ecumênicos do conselho de bispos católicos americanos, e representantes de outras igrejas evangélica e presbiteriana. “Se os que nesta catedral se chocaram com decisões recentes, nossa salvação e nossa saúde passam por riscos e é nosso dever procurar a cura e a união”, declarou Schori, durante a homilia. Algumas dioceses minoritárias (sete num total de 110) descontentes com a designação de uma mulher primaz pediram ao arcebispo de Canterbury fazer uma outra escolha. Eles devem se reunir no dia 15 de novembro na Virgínia (leste).

Com 52 anos, Jefferts Schori era episcopisa de Nevada quando foi eleita pela Convenção Geral Episcopal, em junho. Ela espera revitalizar as paróquias episcopais, depois de anos de perda de fiéis, e levar adiante as obras sociais da Igreja.

Mas disputas internas deverão consumir muito de seu tempo: a denominação, com 2,3 milhões de fiéis, é o braço americano da Igreja Anglicana e desencadeou furor quando consagrou o primeiro bispo assumidamente gay, V. Gene Robinson, há três anos. A maioria dos arcebispos anglicanos de outras partes do mundo crê que o homossexualismo é condenado nas Escrituras, e querem que a Igreja americana siga essa orientação ou abandone a comunidade anglicana internacional.

Reconciliação

Embora a opinião conservadora seja minoritária dentro episcopalismo, o grupo vem conseguindo exercer pressão, retendo doações para a Igreja e forjando alianças com anglicanos de fora dos EUA. Jefferts Schori terá de tentar reconciliar os fiéis. Ela é a favor da ordenação de sacerdotes gays e da bênção religiosa para uniões homossexuais, mas disse que não tentará impor sua visão pessoal à Igreja.

A despeito disso, sete dioceses já afirmaram que vão se recusar a aceitá-la como líder. Fora dos EUA, alguns líderes anglicanos tradicionalistas prometem ignorá-la nos encontros internacionais da comunhão. Perguntada sobre o que gostaria de dizer a esses anglicanos, Jefferts Schori deu de ombros e disse: “Deixem disso”.

Fonte: Último Segundo e AFP