O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, anglicano, vai se converter “nas próximas semanas” ao catolicismo, religião de sua mulher Cherie e de seus quatro filhos, anuncia a edição do semanário britânico The Tablet que está nas bancas neste sábado.

O cardeal Cormac Murphy 0’Connor, arcebispo de Westminster e primaz da Inglaterra e Gales, é quem fará sua conversão, de acordo com a publicação.

A diretora da publicação, Catherine Pepinster, disse que a cerimônia ocorrerá durante uma missa privada na residência oficial do cardeal, atrás da catedral de Westminster, no centro de Londres.

A revista indica que Blair foi instruído na fé católica por um capelão da Força Aérea chamado John Walsh e pelo secretário do cardeal, Mark O’Toole.

Blair, atualmente enviado especial para o Oriente Médio, foi batizado como anglicano, mas nos últimos anos vem se interessando pela Igreja Católica, a que pertencem sua mulher, a advogada Cherie Booth, e seus quatro filhos.

Ele não se converteu antes ao catolicismo para não ferir suscetibilidades constitucionais, de acordo com amigos.

No entanto, enquanto ocupou a chefia do Governo, acompanhou com freqüência sua família às missas de domingo e até mesmo chegou a comungar, algo pelo qual foi criticado pelo cardeal Basil Hume.

Apesar de suas simpatias católicas, os Governos presididos por Blair em seus dez anos no poder aprovaram políticas a que se opõe o Vaticano, como as alianças civis, as pesquisas com células-tronco e o direito dos homossexuais a adotar.

Por outro lado, no Governo de Blair as leis do aborto não sofreram restrições e o Reino Unido invadiu o Iraque, esta decisão também em clara oposição à postura do Vaticano.

Embora não haja nenhuma lei que proíba que um primeiro-ministro do Reino Unido professe a religião católica, nunca um político dessa fé ocupou a chefia do Governo.

Apenas o rei ou a rainha da Inglaterra, como chefe da Igreja Anglicana, e seus cônjuges não podem ser católicos, devido a uma lei aprovada após a Revolução Gloriosa, que derrubou o último monarca católico do país, Jacob II, em 1688.

Fonte: EFE