O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, deixará o anglicanismo e se converterá ao catolicismo após deixar o Governo em 27 de junho, segundo um padre próximo a ele.

O padre Michael Seed, que já converteu outros políticos e aristocratas ao catolicismo e que diz que reza missas semanalmente para o casal Blair na residência oficial de Downing Street, disse recentemente a um grupo de amigos que o político trabalhista adotaria a religião, afirma hoje o jornal “The Times”.

Contatado pelo jornal, Seed admitiu ter feito o comentário, mas disse não saber se Blair será recebido “formalmente” pela Igreja Católica, para a qual teria que participar de uma cerimônia conhecida como rito de iniciação cristã para adultos, seguida da confirmação e da comunhão.

“Blair tem ido à missa todos os domingos. Vai sozinho quando está no exterior, e não deixa de ir quando está com a esposa e os filhos”, afirmou Seed.

Outra fonte da Igreja consultada pelo jornal disse que Blair já é católico “por vontade” e não precisa de uma conversão formal.

“É um católico ecumênico. É um católico liberal e em sua vida particular, um católico romano”, disse a fonte.

Um porta-voz de Downing Street preferiu não comentar as palavras do padre Seed e disse que a história da conversão de Blair ao catolicismo está há tempos “circulando de qualquer maneira”.

“O Primeiro-ministro continua membro da Igreja Anglicana”, acrescentou o porta-voz.

O próprio Blair se mostrou sempre reticente em discutir suas crenças religiosas, mas admitiu que vai à missa para que sua esposa e seus filhos, todos católicos, possam rezar juntos.

Blair foi criticado pela hierarquia católica por comungar na missa. Certa vez, o cardeal Basil Hume, ex-arcebispo de Westminster, enviou um comunicado pedindo que Blair parasse de comungar em Londres, mas disse que não haveria problema se o primeiro-ministro participasse do sacramento em suas férias na Toscana (Itália), já que lá não existe Igreja Anglicana.

Segundo o historiador Graham Stewart, se Blair foi reticente em se converter ao catolicismo durante seu período em Downing Street, isso pode se dever ao problema da Irlanda do Norte.

O Act of Settlement de 1701, lei que regulava a sucessão, proibiu “para sempre” os católicos, ou casados com católicos, de ocuparem o trono da Inglaterra.

No entanto, o Ato de Emancipação Católica de 1829 permitiu aos católicos ingressarem como deputados no Parlamento e ocupar qualquer cargo político exceto o de monarca, lorde-chanceler, regente e lorde-tenente da Irlanda, entre outros.

Fonte: Último Segundo