O primeiro-ministro britânico, Tony Blair (foto), disse em entrevista publicada nesta quarta-feira que ficaria preocupado se o ensino do “criacionismo” –idéia segundo a qual Deus criou o mundo em seis dias, tal qual narra a Bíblia– fosse adotado de forma difundida nas escolas do país.

O criacionismo é alvo de intensa polêmica nos Estados Unidos, onde conservadores cristãos rejeitam a teoria da evolução das espécies, desenvolvida por Charles Darwin.

Neste ano, uma fundação privada que financia várias escolas do norte da Inglaterra foi duramente criticada por supostamente ensinar o criacionismo nas aulas de Ciências.

A fundação disse ensinar a evolução, mas que crenças na criação podiam ser mencionadas em algumas discussões científicas.

Falando à revista New Scientist, Blair disse que há exageros nas notícias de que muitas escolas britânicas estariam ensinando o criacionismo.

“Visitei uma das escolas em questão e, até onde sei, estão ensinando o currículo normalmente. Se eu notar que o criacionismo está virando a norma do sistema educacional neste país, então será hora de começar a me preocupar”, afirmou.

Blair, que na sexta-feira faz uma palestra sobre o futuro da ciência britânica, disse que a ciência é quase tão importante quanto a estabilidade econômica para o futuro da economia nacional.

“Se não aproveitarmos as oportunidades em ciência que há por aí, não vamos ter uma economia moderna bem-sucedida. Vamos perder a competição nos custos trabalhistas”, afirmou Blair.

Blair, que admitiu ter sido mau aluno de Ciências, disse que a comunidade cientifica deve participar de um diálogo “muito forte e profundo” com a sociedade a respeito das possibilidades da genética.

O primeiro-ministro criticou a imprensa pela forma como noticiou o debate sobre a vacina tríplice infantil (sarampo, caxumba e rubéola), na época de um estudo médico, hoje amplamente rejeitado, que associava a vacina ao autismo.

Muitos pais deixaram de vacinar seus filhos, causando preocupação na comunidade médica. “O noticiário da vacina tríplice foi lamentável. Não havia base científica para as acusações feitas, e isso causou muitas dificuldades.”

Fonte: Reuters