Depois da insistente condenação do aborto que o papa Bento 16 fez durante sua viagem ao Brasil, a rede Record manterá aquecido o debate sobre a legazalição do aborto, com vinhetas e um programa sobre o tema.

A TV Record, ligada à Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo evangélico Edir Macedo, começou na quarta-feira, dia em que o papa chegou ao Brasil, a levar ao ar vinhetas de poucos segundos em que uma mulher defende sua escolha de fazer ou não o aborto.

A vinheta, que não tem previsão para sair do ar, é assinada pelo Instituto Ressoar, associação de projetos sociais da Rede Record.

Ricardo Frota, gerente nacional de comunicação da Record, insiste que as vinhetas “não defendem a legalização do aborto” e que promovem “o respeito ao direito de liberdade de escolha da mulher”.

Na noite de segunda-feira, o programa “Repórter Record” exibirá uma reportagem sobre o aborto, na qual promete “dar voz aos que são contra o aborto e também aos defensores da legalização”.

“Quando um feto se torna um ser humano? É na concepção, como defende o papa e a Igreja Católica? Ou não?”, pergunta a sinopse do programa semanal, no site da emissora. “Demonstraremos como se dá o processo de desenvolvimento de um feto até as 12 semanas, quando ele começa a ter o cérebro formado.”

“A Record, em parceria com o Ressoar, vem promovendo a exibição de vinhetas relacionadas à defesa da natureza, à promoção da educação, ao reencontro de desaparecidos e outras de cunho social”, explicou Frota, por email.

Bento 16 voltou a Roma no domingo, após defender o direito à vida “desde a sua concepção até o seu natural declínio”, numa condenação ao aborto e à eutanásia. A caminho do Brasil, o papa chegou a manifestar apoio a líderes eclesiásticos mexicanos que ameaçaram excomungar parlamentares católicos favoráveis à legalização do aborto na Cidade do México, medida aprovada em abril.

“O egoísmo e o medo estão na raiz da legislação (pró-aborto)”, disse Bento 16. “Nós, da Igreja, temos uma grande luta para defender a vida. A vida é um presente, não uma ameaça.”

O debate também teve eco no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a afirmar antes e depois da visita do papa que o aborto é um tema de saúde pública, embora ele pessoalmente seja contrário a esse tipo de intervenção.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, alimentou a polêmica. Ele afirmou que as mulheres devem ser ouvidas sobre o assunto e que “se os homens engravidassem, pensariam diferente”.

Fonte: Reuters