A União Européia (UE) concordou, nesta segunda-feira, permitir o uso limitado de fundos do bloco de países em pesquisas envolvendo células-tronco de embriões humanos, contanto que não acarretem a destruição deles.

A concordância aconteceu dias depois do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ter vetado uma expansão de tais pesquisas no país, medida que agradou religiosos e ativistas contrários ao aborto.

O acordo abriu caminho para a adoção do programa científico de sete anos de duração do bloco europeu, no valor estimado de 69,40 bilhões de dólares. O programa pretende diminuir a diferença de pesquisa em relação aos Estados Unidos e estimular o crescimento econômico na região.

Extrair células-tronco de embriões humanos leva à destruição deles — um passo que igrejas e ativistas de ética dizem ser o mesmo que assassinato.

Mas ministros europeus concordaram, após horas de disputas, que a UE pode financiar pesquisas relativas a “passos posteriores” envolvendo células-tronco descartadas por clínicas de fertilidade.

Células-tronco podem transformar-se em qualquer outro tipo de célula do organismo, e podem ser retiradas de embriões ou de adultos para o desenvolvimento de drogas ou para recuperar regiões do corpo. Cientistas dizem que as pesquisas são necessárias para lidar com doenças como diabete, Alzheimer e Parkinson.

Empresas de biotecnologia comemoraram a decisão. “Estamos contentes de que não há proibições e que haverá acesso para se tentar outras vias de pesquisa diferentes para tratamentos”, disse uma porta-voz da Europabio, que represente companhias de biotecnologia européias.

“Realmente nada mudou em relação ao acerto anterior e é preciso lembrar que apenas 0,04 por cento dos recursos foram usados nesse tipo de pesquisa”, disse o ministro irlandês de Empreendimentos, Michael Martin.

O Parlamento Europeu ainda precisa aprovar a decisão desta segunda-feira, mas especialistas do setor na região não esperam problemas.

Fonte: Reuters