Um terço dos países do mundo já conta com leis que permitem o aborto por motivos econômicos e sociais. Um levantamento feito pela Organização das Nações Unidas (ONU) e obtido pelo Estado aponta que a tendência na adoção dessas leis vem crescendo.

Há 20 anos, o número de governos que permitia tal prática não chegava a 20% dos países.

Nem a ONU nem a Organização Mundial da Saúde (OMS) adotam uma atitude de defender ou não a legalização do aborto. Mas deixam claro que uma questão a ser abordada pelos governos é o número alto de vítimas de abortos feitos de forma clandestina. Em uma linguagem diplomática, o que as organizações internacionais indicam é que os países não podem mais ignorar o assunto como uma questão de saúde pública.

Os dados coletados pela ONU indicam que 68 mil mulheres morrem todos os anos por complicações geradas em abortos clandestinos e, na maioria das vezes, sem assistência médica.

Ricos e pobres

A ONU, porém, aponta que a maioria dos governos que adotaram a autorização do aborto por questões econômicas e sociais está no bloco de países ricos. Segundo o levantamento, 78% das economias desenvolvidas estabeleceram leis nesse sentido. Entre os países pobres, apenas 19% deles têm a autorização.

Entre os poucos países em desenvolvimento que aceitam argumentos econômicos e sociais para autorizar um aborto estão Zâmbia, Tunísia, África do Sul, China, Índia, Cingapura, Vietnã e Turquia. Na América Latina, apenas Cuba, Guiana e Barbados adotam essa posição. O Brasil aceita apenas em casos de estupro e quando a mãe corre risco de vida.

Já entre os países ricos, a medida é adotada pelo Japão, parte dos estados norte-americanos e praticamente todos os governos europeus, salvo Polônia, Espanha e Irlanda, países tradicionalmente católicos.

Caso recente

O levantamento da ONU foi realizado no primeiro semestre deste ano, antes de a lei do aborto entrar em vigor em Portugal, em meados de julho.Nas primeiras cinco semanas da nova lei , o sistema público de saúde português realizou uma média de 15 abortos por dia. No total, 526 mulheres abortaram legalmente no país.

Segundo informações obtidas pelo Estado, uma dessas mulheres é brasileira. Não se sabe, porém, se ela vive no país europeu ou se viajou para lá com o intuito de aproveitar a nova lei.

Os números do primeiro mês são considerados baixos pelas autoridades portuguesas. O governo previa 20 mil abortos por ano – uma média de 1,7 mil por mês. ””Precisamos esperar pelo menos mais um mês para termos uma idéia clara””, explicou o coordenador nacional do Programa de Saúde Reprodutiva, Jorge Branco.

Fonte: Estadão