O Vaticano anunciou neste sábado que o papa Bento 16 promoverá uma “profunda revisão” no movimento católico Legionários de Cristo, cujo fundador, o padre mexicano Marcial Marcel, é acusado de ter abusado sexualmente de crianças por décadas.

Em uma nota na qual descreve como “imorais” e “verdadeiros delitos” os comportamentos do padre Marcel, a Santa Sé anunciou que Bento 16 nomeará um novo dirigente, que se encarregará de supervisionar reformas para “purificar” o movimento.

As medidas foram anunciadas após a apresentação das conclusões de uma comissão formada por cinco bispos que trabalharam por mais de oito meses recolhendo evidências junto a cerca de mil pessoas.

“Os gravíssimos e objetivamente imorais comportamentos do padre Maciel, confirmados por testemunhas inquestionáveis, configuram às vezes verdadeiros delitos e evidenciam uma vida carente de escrúpulos e autêntico sentimento religioso”, afirma a nota.

“A conduta do padre Marcel causou uma série de consequências na vida e na estrutura da legião, que requer um caminho de profunda revisão.”

‘Intocável’

Padre Marcel gozava de prestígio junto ao falecido papa João Paulo 2º.

O pároco mexicano morreu em 2008, dois anos após começarem a vir a público denúncias de que ele levava uma vida dupla, abusava sexualmente de crianças e tinha pelo menos um filho.

Segundo o Vaticano, o padre criara “em torno de si um mecanismo de defesa que o manteve intocável por muito tempo, dificultando o conhecimento da sua verdadeira vida”.

A reação da cúpula da Igreja ao caso do padre Marcel está sendo acompanhada de perto porque a alta hierarquia do clero vem sendo acusada de ignorar ou, nos piores casos, até acobertar denúncias de abusos sexuais contra menores cometidos por padres no passado.

Em um dos casos revelados recentemente, o próprio Bento 16, na época ainda cardeal Ratzinger, é acusado de ignorar as denúncias contra um religioso americano que molestou cerca de 200 jovens nos EUA entre os anos 1950 e 1974.

As acusações já foram descritas como o “grande terremoto” do pontificado de Bento 16, que completou cinco anos em abril. Muitos são os pedidos para uma espécie de “limpeza interna” dentro da Igreja.

Por outro lado, alguns vaticanistas acreditam que a instituição possa sair fortalecida das polêmicas se enfrentar os casos e retomar o controle da situação.

Fonte: BBC Brasil