O Vaticano confirmou neste sábado que afastou do cargo e abriu uma investigação contra um prelado membro da Congregação para o Clero que tinha confessado, sob anonimato, manter relações homossexuais.

O sacerdote apareceu em um programa do canal de televisão “A7” com a voz distorcida e o rosto coberto, mas o Vaticano conseguiu reconhecê-lo por causa dos detalhes do escritório onde a entrevista foi gravada, informou hoje o jornal italiano “La Repubblica”.

No vídeo, gravado com uma câmera oculta, o alto prelado convida um jovem que havia conhecido em um chat na internet para ir ao seu escritório na sede da Congregação para o Clero, revela sua orientação sexual e conversa sobre o homossexualismo na Igreja.

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, confirmou a notícia divulgada no jornal e acrescentou que “os superiores estão tratando a situação com a devida discrição, apesar de esta pessoa ter se equivocado”.

Lombardi acrescentou que “as autoridades vaticanas têm que intervir com decisão e severidade diante de um comportamento não compatível com o sacerdócio e com a missão da Santa Sé”.

Após o Vaticano confirmar o afastamento do religioso, o portal de notícias católicas “Petrus” divulgou uma entrevista feita com o sacerdote, que afirmou não ser gay e que tinha concordado em conversar com o jovem com o objetivo de analisar o homossexualismo na Igreja.

Na entrevista, o prelado – que, segundo o “Petrus”, seria o monsenhor Tommaso Stenico – disse que queria escrever um livro sobre o tema e que, por isso, entrou em contato com o jovem por meio da internet. Ele já teria escrito aos superiores para explicar a situação.

“O vídeo é verdadeiro. O sacerdote sou eu, mas foi apenas um engano banal que espero esclarecer o mais rápido possível”, disse Stenico.

A entrevista do religioso foi exibida em 1º de outubro no programa “Exit”, que tinha como tema o homossexualismo na Igreja Católica.

O programa exibiu gravações feitas com uma câmera oculta de encontros de três sacerdotes homossexuais com pessoas conhecidas por um chat na internet e confissões de religiosos que se sentem atraídos por pessoas do mesmo sexo. No vídeo, era possível reconhecer a porta de entrada e o elevador do prédio da sede da Congregação do Clero, assim como o escritório do prelado.

Após o afastamento, um tribunal vaticano estudará o caso e, provavelmente, decidirá por seu desligamento da Cúria vaticana e depois sua expulsão da Igreja Católica.

Em 2005, o Vaticano deixou claro sua posição diante do homossexualismo, com um documento que fechava as portas dos seminários e do sacerdócio “àqueles que praticam o homossexualismo, apresentam tendências homossexuais profundamente enraizadas ou apóiam a cultura gay”.

Fonte: EFE