O Vaticano anunciou neste sábado que publicará um novo documento dirigido aos católicos chineses, como continuidade a uma carta emitida pelo papa Bento XVI a essa comunidade em 2007. O documento terá o formado de perguntas e respostas, como um catecismo.

De acordo com o Vaticano, o documento, a ser disponibilizado neste domingo no site do Vaticano na internet (www.vatican.va/), deverá detalhar as posições expostas na carta de 2007. O governo chinês não respondeu diretamente àquela carta, mas funcionários do regime comunista disseram na época que ela era um “passo positivo”.

Bento XVI dedicou 24 de maio como um dia mundial de orações pela Igreja Católica chinesa, com quem o regime tem um relacionamento difícil. Depois de o regime comunista se estabelecer, em 1949, ele forçou os católicos chineses a romper seus laços com o Vaticano em 1951; até agora, as duas partes não restabeleceram relações formais.

Pequim vê a tradição católica, segundo a qual o Vaticano tem exclusividade na nomeação de bispos, como uma interferência em seus assuntos políticos internos. Desde 1951, o regime comunista tem nomeado seus próprios bispos para uma Igreja católica sancionada pelo Estado. Mas muitos dos estimados 12 milhões de católicos chineses ignoram a Igreja oficial e frequentam congregações clandestinas, tornando-se alvo de intimidações e prisões.

Em sua carta de 2007, Bento XVI fez elogios à Igreja clandestina, mas também exortou os católicos chineses a se reconciliarem com os seguidores da Igreja oficial. No informe publicado neste sábado, o Vaticano diz que a carta de 2007 obteve “uma recepção altamente favorável” entre os católicos chineses e tornou-se “um ponto de referência confiável para a solução dos vários problemas que a comunidade católica vem enfrentando”.

Fonte: Estadão