Ceferino Namuncurá se tornou neste domingo o primeiro indígena a ser beatificado na Argentina e na América do Sul, em uma cerimônia presidida pelo secretário do Vaticano, Tarcisio Bertone, em Chimpay, cidade natal do nativo mapuche, na Patagônia.

“Ceferino é beato!”, disse o secretário de Bento XVI, a uma multidão -de 120.000 pessoas, segundo a Polícia- que respondeu com uma salva de palmas emocionada, no santuário na província de Río Negro. O texto da beatificação foi lido em espanhol e mapuche.

Em seu Angelus deste domingo na Praça de São Pedro, Bento XVI pediu que Ceferino “interceda” pela Argentina.

Ceferino fez o milagre que decidiu sua beatificação com Valeria Herrera, de 31 anos, que hoje foi à capela do santuário em Río Negro.

Herrera soube que tinha câncer de útero no ano 2000 e, desesperada, lembrou da devoção de sua avó por Ceferino, a quem rezou para que pedisse a Deus por sua saúde.

“Precisas do milagre, então faça-o comigo porque sabes que tenho trabalhado entre os seus (com missionária católica na África) e quero continuar com isto. Me dê a mão, faça este milagre comigo”, pediu Herrera a Caferino.

Dois dias depois, os médicos constataram atônitos que o tumor havia desaparecido.

O milagre foi decisivo para que o Papa firmasse, em julho passado, o decreto de beatificação de Ceferino.

Para a cerimônia de hoje, quando são esperadas 100.000 pessoas, foi montado um gigantesco palco que será ocupado por Bertone, o cardeal primaz da Argentina, Jorge Bergoglio, e cerca de 50 bispos da América Latina.

Ceferino nasceu em 26 de agosto de 1886, filho do cacique Manuel Namuncurá, herdeiro do cacique Calfucurá.

Calfucurá foi um legendário chefe mapuche que liderou uma longa resistência contra os colonizadores da Patagônia.

Durante uma sangrenta campanha militar – qualificada de genocídio pelos historiadores – foram aniquilados ou expulsos de suas terras milhares de mapuches, tehuelches e ranqueles, que até então dominavam a Patagônia.

Aos 11 anos, Caferino pediu para ir estudar em Buenos Aires e entrou para um colégio da comunidade dos Salesianos, onde aprendeu espanhol e se adaptou a vida dos “brancos”, mas sem renegar suas origens.

Ceferino, que queria ser padre, viajou ao Vaticano e conheceu o Papa Pio X, antes de morrer em 1905 de tuberculose.

Os restos de Ceferino foram repatriados em 1924 e se encontram no santuário de María Auxiliadora, em Fortín Mercedes, na província de Buenos Aires.

Fonte: AFP