O Vaticano, em um documento apresentado nesta terça-feira (19) sobre “Orientações para a Pastoral da Rua”, condena a prostituição como “uma forma de escravidão, uma ofensa à dignidade humana e uma grave violação dos direitos fundamentais”, afirmando que “é hora de condenar com vigor, dando vida aos instrumentos apropriados de defesa, as formas de violência sexual” contra as mulheres.

A Santa Sé condena também a violência nas estradas, através do seu Pontifício Conselho para a Pastoral dos imigrantes e itinerantes, responsável pela publicação ontem de um documento dedicado ao povo da rua, dividido em quatro categorias: viajantes, prostitutas, crianças sem família e mendigos.

O texto foi apresentado pelo cardeal Raffaele Martino, presidente do Conselho para os Imigrantes, e pelo monsenhor Agostino Marchetto, secretário do mesmo órgão.

“No início do terceiro milênio, não podemos continuar impassíveis e resignados diante deste fenômeno”, observa a Santa Sé no capítulo sobre a prostituição.

O texto explica que também o “cliente” das prostitutas é de um certo modo um “escravo”, uma pessoa que “deve ser auxiliada a resolver os seus problemas mais íntimos e a encontrar modos coerentes de dirigir suas tendências sexuais”.

O documento também defende uma “verdadeira mudança cultural em relação ao comércio sexual”, explicando que isto pode ocorrer apenas se, junto ao uso do código penal contra quem abusa e faz uso da prostituição, se recorra também à “condenação social” coletiva.

A Santa Sé defende punições “penais” para os clientes, explicando que “o nosso modelo é aquele do ordenamento legislativo da Suécia”, explicou monsenhor Agostino Marchetto durante a apresentação do documento.

Fonte: Ansa