O presidente do Conselho Pontifício da Cultura do Vaticano, Gianfranco Ravasi, pediu aos médicos que limitem a aplicação de tratamentos muito invasivos e opressivos nos doentes terminais, que acabam sendo inúteis, segundo o sacerdote.

Em entrevista publicada na edição deste sábado do jornal “Corriere della Sera”, Ravasi citou o caso do papa João Paulo 2º, que rejeitou determinadas ações por avaliar que no fim da vida “é preciso evitar os tratamentos muito invasivos”.

O presidente do conselho do Vaticano afirmou que a Igreja Católica condena a eutanásia e também é contra o uso de tratamentos para prolongar a vida.

“Às vezes não se respeitam os limites que separam o tratamento necessário e o inútil”, disse Ravasi, acrescentando que “é preciso defender a vida a todo custo, mas também se deve defender sua dignidade”.

Ravasi considerou que, em algumas ocasiões, “os médicos vão além dos tratamentos indispensáveis e submetem os pacientes a tratamentos opressivos que não obterão nenhum resultado”.

Os membros da Cúria romana sempre citaram como exemplo o caso do papa João Paulo 2º, que se opôs a tratamentos para prolongar a vida em contraposição à eutanásia.

O presidente do Conselho Pontifício para a Saúde, o cardeal Javier Lozano Barragán, disse há algumas semanas que João Paulo 2º optou por permanecer no Vaticano quando os médicos disseram que ele não melhoraria após a internação.

As declarações de Barragán ocorreram poucos dias depois de a anestesista Lina Pavanelli, da Universidade de Ferrara, ter afirmado, em artigo publicado pela revista “Micromega”, que João Paulo 2º “foi ajudado a morrer”, o que, segundo ela, representou uma aplicação da eutanásia.

Ravasi rejeitou também o possível uso terapêutico da maconha no tratamento para aliviar a dor, pois isso “pode favorecer uma maior difusão entre as pessoas saudáveis que tenham um leve problema físico”.

Fonte: Folha Online