O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, afirmou hoje que o “trágico e terrível” atentado que causou a morte da ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto “afasta a paz”.

Lombardi disse que, como acontece sempre nestes casos, o Papa Bento XVI foi informado imediatamente e disse que a Santa Sé “compartilha a dor do povo paquistanês”.

“O atentado de hoje mostra como é muito difícil pacificar uma nação tão atormentada pela violência. Assim se afasta a paz”, declarou.

Atentado no Paquistão mata ex-premiê Benazir Bhutto

A líder da oposição e ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto foi assassinada nesta quinta-feira em um atentado durante um comício em Rawalpindi, perto da capital paquistanesa, Islamabad.

Logo depois de discursar no comício, Bhutto foi baleada no pescoço quando se afastava da multidão concentrada em um parque. Em seguida, um homem-bomba detonou os explosivos que carregava.

O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, e outros representantes do governo pediram que a população paquistanesa mantenha a calma.

Integrantes do partido da ex-primeira-ministra, o Partido do Povo do Paquistão (PPP), e médicos do hospital para onde Bhutto foi levada após o atentado confirmaram que ela morreu vítima dos ferimentos que sofreu.

Emoção

De acordo com a agência de notícias Associated Press, partidários de Benazir Bhutto se concentraram diante do Hospital Geral de Rawalpindi e começaram a gritar “Cão, Musharraf, cão”, em uma referência ao presidente do Paquistão.

Alguns deles quebraram as portas de vidro da entrada principal do setor de atendimento de emergência do hospital. Outros choravam.

Outras 15 pessoas também foram mortas pela explosão no comício em Rawalpindi. O ataque foi o segundo atentado contra a ex-primeira-ministra desde que ela voltou para o Paquistão após um auto-exílio.

Em outubro, mais de 120 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas durante um desfile de Bhutto pelas ruas de Karachi, em um evento organizado para comemorar a volta da ex-primeira-ministra ao país.

Mais cedo nesta quinta-feira, homens armados abriram fogo em um outro comício, no subúrbio de Rawalpindi, realizado por partidários de outro líder da oposição, o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif. Pelo menos quatro pessoas foram mortas pelos disparos.

Sharif, que não estava presente no ato público, culpou partidários do presidente Pervez Musharraf pelo incidente em seu comício.

Depois de ser informado sobre o atentado que matou Benazir Bhutto, Sharif disse que a morte da ex-primeira-ministra é uma tragédia “para a nação inteira”.

Os dois ex-primeiros-ministros paquistaneses que estavam exilados – Benazir Bhutto e Sharif – retornaram ao Paquistão para concorrer às eleições parlamentares de 8 de janeiro.

Fonte: EFE e BBC Brasil