Representantes islâmicos e funcionários do Vaticano começam nesta semana a discutir a realização de uma inédita conferência católico-islâmica.

Cinco representantes de cada lado vão se reunir durante dois dias na terça-feira em Roma para discutir os detalhes de um possível encontro mais amplo, ainda neste ano, com a presença do papa Bento 16.

“Temos de atualizar o diálogo depois dos grandes êxitos do pontificado de João Paulo 2o”, disse Yahya Sergio Yahe Pallavicini, vice-presidente da Comunidade Religiosa Ítalo-Islâmica.

As relações entre católicos e muçulmanos degringolaram em 2006, quando Bento 16 citou numa conferência em Regensburg, Alemanha, uma frase que muitos muçulmanos consideraram ofensiva, por sugerir um caráter violento e irracional para o Islã.

Diante dos protestos de muçulmanos no mundo inteiro, o papa foi à Turquia e rezou voltado para Meca, ao lado do imã da Mesquita Azul, em Istambul.

Após o episódio do discurso de Regensburg, 138 acadêmicos islâmicos escreveram ao papa e a outros líderes cristãos, em 2007, dizendo que “a própria sobrevivência do mundo,” pode depender do diálogo entre os dois credos. Depois disso, o número de adesões ao documento subiu para 225.

“Agora há necessidade de um diálogo mais profundo a respeito da doutrina, da teologia e do caráter da religião no mundo de hoje, e dos desafios que enfrentamos”, disse Pallavicini à Reuters.

“Devemos junto com o papa tentar seguir um caminho de diálogo a respeito das questões que confrontam a humanidade hoje”, acrescentou.

Fonte: Reuters