O Vaticano disse nesta segunda-feira que o papa Bento 16 não pretende encontrar-se com o Dalai Lama no próximo mês, contrariando um anúncio anterior, que incomodou a China e levantou dúvidas sobre os esforços para melhorar as relações da Igreja Católica com o país asiático.

Uma autoridade do Vaticano que não quis ter sua identidade revelada disse a repórteres, em outubro, que o papa se reuniria com o líder espiritual dos budistas tibetanos no dia 13 de dezembro.

O Dalai Lama é considerado um traidor pelo governo chinês desde que liderou uma tentativa fracassada de golpe para libertar o Tibet do domínio da China.

A China respondeu afirmando que o encontro poderia “ferir os sentimentos do povo chinês” e conclamou o pontífice a adotar medidas para mostrar que “é sincero quanto aos esforços para melhorar as relações” entre os dois.

O padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, disse na segunda-feira que “não há nenhuma audiência planejada” com o Dalai Lama e acrescentou que nunca aconteceu um anúncio oficial sobre um encontro dos líderes católico e budista.

O papa fez da melhoria das relações com a China uma das principais metas de seu papado e divulgou uma carta aberta de 55 páginas, em junho, afirmando que tentaria restabelecer as relações diplomáticas plenas com o governo chinês, interrompidas dois anos depois da vitória dos comunistas em 1949.

Ainda assim, o Vaticano, tradicionalmente, abre as portas ao Dalai Lama, mas nunca dá grande visibilidade a esses encontros.

O papa Bento 16 realizou uma audiência “estritamente privativa” e “estritamente religiosa” com o Dalai Lama no ano passado, mas omitiu o nome do líder budista da lista de pessoas recebidas pelo papa naquele dia.

O Dalai Lama deve visitar a Itália no próximo mês, e os políticos italianos discutem a possibilidade de o religioso fazer um pronunciamento diante do Parlamento do país.

Fonte: Reuters