O Vaticano pediu nesta terça-feira que o governo iraquiano e grupos de direitos humanos façam mais para proteger os cristãos em Mosul, onde a metade da comunidade minoritária já fugiu depois de ataques e ameaças.

O porta-voz do papa Bento 16, reverendo Federico Lombardi, disse à Reuters que o Vaticano estava se perguntando se havia “disposição insuficiente” de parte das autoridades iraquianas para proteger os cristãos.

“Estamos extremamente preocupados com o que estamos ouvindo do Iraque”, disse Lombardi
.
Na última sexta-feira, em Genebra, a agência de refugiados da ONU (Acnur) disse que metade dos cristãos na cidade iraquiana de Mosul, quase 10.000 pessoas, haviam fugido no período de aproximadamente uma semana.

“A situação em Mosul é dramática. As vítimas são cristãos e milhares de pessoas estão fugindo porque estão sujeitos não só ao medo de ataques mas a uma campanha sistemática de ameaças”, afirmou Lombardi.

“Isso é extremamente preocupante e nos perguntamos se essas pessoas estão suficientemente protegidas pelas autoridades, ou se as autoridades não conseguem protegê-las ou se há disposição insuficiente para protegê-las”, disse.

Na semana passada, o governo iraquiano prometeu enviar autoridades para o norte para combater a violência. Em Genebra, a Acnur disse estar preocupada com um deslocamento em massa na região de Mosul.

Uma cópia de um panfleto deixado em uma residência cristã em Mosul alertava para que a família deixasse “sua casa e a área nas próximas 24 horas ou será justamente punido e morto como a religião islâmica dita que seja feito para aquelas que veneram a cruz”.

O panfleto, disponibilizado para a Reuters por fontes diplomáticas, inclui versos do Corão, um endereço específico em Mosul, e era assinado por um grupo que se auto-denomina “Conselho Consultivo de Combatentes do Iraque”.

“Está claro que há um problema de fundamentalismo islâmico e isso pode se tornar mais agressivo na atual situação do Iraque”, disse Lombardi.

Fonte: Reuters