Em meio à polêmica causada por um projeto de declaração na ONU (Organização das Nações Unidas) sobre a descriminalização da homossexualidade, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, disse nesta quinta-feira que a Igreja é a favor da descriminalização do homossexualismo.

“Isso não se questiona”, disse ele, explicando que a oposição do Vaticano é ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O jesuíta Lombardi reiterou, com essas palavras, a postura da Santa Sé após a polêmica gerada por declarações do arcebispo Celestino Migliore, observador permanente do Vaticano nas Nações Unidas, contrárias ao documento que a França deve apresentar perante a ONU em nome da União Européia para descriminalizar o homossexualismo no mundo.

“Certamente, é indiscutível que a Igreja possa ser a favor de criminalizar os comportamentos homossexuais ou, inclusive, a pena de morte. A Igreja é contra leis penais que considerem um crime o homossexualismo. A Igreja é a favor da descriminalização”, manifestou Lombardi durante a apresentação de uma mensagem do papa Bento 16 sobre a paz.

No entanto, considera que “nem todos os comportamentos sexuais se podem colocar no mesmo plano, em todas as situações e em todas as normas”. “Um exemplo neste sentido é o do casamento. A Igreja só reconhece o casamento entre um homem e uma mulher e não aceita pôr no mesmo nível o de pessoas do mesmo sexo”, argumentou.

Polêmica

Lombardi negou também que o Vaticano tenha iniciado uma campanha contra a ONU, “como escreveram alguns meios de comunicação”, e afirmou que foi gerada uma polêmica por um documento que ainda não foi apresentado e se desconhece.

“O documento da França não foi ainda apresentado e é preciso saber do que se trata. Por isso, não é o caso de construir polêmicas por um objeto que não está claro e que parece que não será submetido à votação na próxima assembléia da ONU”, assinalou Lombardi.

O arcebispo Celestino Migliore demonstrou, em 1º de dezembro, sua oposição à proposta da França ao argumentar que a descriminalização do homossexualismo pode “se transformar em um instrumento de pressão ou discriminação” contra aqueles –como a Igreja Católica– que só aceitam como válido o casamento entre um homem e uma mulher.

Perante a polêmica, Lombardi explicou então que “obviamente ninguém quer defender a pena de morte para os homossexuais” e por sua vez especificou que há 150 Estados-membros da ONU que não tinham aderido à proposta francesa.

A secretária e Estado dos Direitos Humanos da França, Rama Yade, viajará na próxima semana à sede da ONU, em Nova York, para promover o projeto de descriminalização, anunciou nesta quinta-feira um porta voz do Ministério das Relações Exteriores da França. Yade vai promover, ao lado do chanceler holandês, Maxime Verhagen, uma manifestação paralela à Assembléia Geral, com a participação de “numerosos países”, segundo o porta-voz.

Fonte: Folha Online