O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, respondeu ontem à chanceler alemã, Angela Merkel, que pediu ao papa para “deixar claro” que a Santa Sé não tolera a negação do Holocausto, afirmando que as palavras de condenação de Bento XVI “são claríssimas”.

“A condenação das declarações negacionistas do Holocausto (por parte do papa) não poderiam ser mais claras e é evidente que as mesmas também se referiam à posição do monsenhor Williamson (o bispo reabilitado que nega a existência das câmaras de gás) e a todas as posições análogas”, destaca Lombardi em comunicado Merkel se uniu hoje às pressões dos bispos e da comunidade judaica alemã sobre Bento XVI e disse que, por parte do papa, “tem que ficar definitivamente claro que o negacionismo não é permitido”.

Após declarações da Igreja e da comunidade internacional contra a revogação da excomunhão ao bispo tradicionalista Richard Williamson, que negou o Holocausto, Lombardi divulgou um comunicado para especificar “os novos pedidos de esclarecimentos sobre a posição do papa e da Igreja sobre o tema da Shoah”.

“O pensamento do papa sobre o tema do Holocausto foi expressado com muita clareza na Sinagoga de Colônia em 19 de agosto de 2005, no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, em 28 de maio de 2006, na audiência pública de 31 de maio no Vaticano e na audiência de 28 de janeiro, com palavras inequívocas”, disse Lombardi.

“Enquanto renovo com afeto minha plena e indiscutível solidariedade para com nossos irmãos judeus, auspício que a memória da Shoah induza a humanidade a refletir sobre a imprevisível potência do mal quando conquista o coração do homem”, destacou.

“A Shoah deve ser para todos uma advertência contra o esquecimento, contra a negação e contra o reducionismo”, acrescentou o papa.

Lombardi destacou que a condenação do pontífice às declarações negacionistas do Holocausto “não podem ser mais claras”.

É “evidente” que, com a mesma, se referia também “a Richard Williamson -um dos quatro bispos tradicionalistas aos quais o papa retirou a excomunhão e negou a Shoah- e a todas as posições análogas”.

Com esta última frase, Lombardi se referia às manifestações dos sacerdotes Floriano Abrahamowicz, que relançou as teses revisionistas de Williamson.

Lombardi ressaltou que no mesmo dia em que o papa condenou o negacionismo do Holocausto (28 de janeiro), também explicou “claramente” o objetivo da revogação das excomunhões.

“Isso também não tem nada a ver com uma legitimação das posições negacionistas do Holocausto, claramente condenadas pelo pontífice”, reiterou.

Bento XVI disse nesse dia que tinha levantado a excomunhão como um “gesto de misericórdia paterna”.

Além de Merkel, o cardeal de Mainz e ex-presidente da Conferência Episcopal Alemã, Karl Lehmann, também pediu uma desculpa “desde o mais alto nível” pela reabilitação dos sacerdotes.

Fonte: EFE