O Vaticano levantou a questão da possibilidade de existência de uma forma de vida extraterrestre, durante seminário sobre astrobiologia de quatro dias, encerrado neste 10 novembro, durante o qual um dos participantes expressou a convicção de que uma tal descoberta estava relativamente próxima.

“Mesmo se não encontrarmos vida, as pesquisas nos ensinam coisas importantes e úteis sobre nosso mundo” com “implicações filosóficas e teológicas”, explicou à imprensa o diretor do ‘Observatório Astronômico do Vaticano, José Gabriel Funes, nesta terça-feira, ao final do seminário.

O debate, organizado por ocasião do Ano Internacional da Astronomia, reuniu a convite da Academia pontifical de Ciências, 30 cientistas, astrólogos, biólogos, físicos, geólogos e químicos.

Os convidados eram “especialistas em seu campo” e “não lhes pedimos certidão de batismo”, disse o padre Funes, preocupado em mostrar a abertura de espírito da Igreja a respeito.

O Padre Chris Impey, astrônomo da Universidade do Arizona, se disse certo de que “em alguns anos – 5, 10, ou muito mais – serão encontradas formas de vida no universo, seja no sistema solar ou fora dele”.

Para apoiar suas ideias, ele destacou que o universo é feito “de carbono, água e energia” e que “o cosmos” está cheio dessas substâncias. Também destacou que “progressos incríveis foram feitos na pesquisa sobre os planetas”: foi apenas “em 1995, que encontramos o primeiro planeta fora do sistema solar” e, agora, “conhecemos mais de 400”.

O padre Funes, jesuíta argentino, se disse “um pouco mais cético” sobre a possibilidade de se descobrir rapidamente outras formas de vida. Em maio de 2008, havia sido menos reservado: acreditar em Deus é compatível com a crença nos extraterrestres, havia dito, então, considerando mesmo a existência de um planeta habitado por seres que não teriam cometido o pecado original.

Fonte: AFP