Além da Coréia do Norte e do Afeganistão, a situação para os cristãos piorou no Paquistão, Mauritânia, Líbia, Jordânia, Belarus e nos territórios palestinos, de acordo com a Classificação de países por perseguição da Portas Abertas.

Paquistão (15)

Para os cristãos paquistaneses, a vida na “terra do puro” (esse é o sentido da palavra Paquistão) é repleta de dificuldades, limitações, discriminação, ameaças, pressão, assédio e, ocasionalmente, morte. O governo oferece apenas proteção muito limitada para os cristãos.

Em conseqüência disso, os mulçumanos fanáticos reinam praticamente livres e usam essa liberdade para tornar a vida dos cristãos o mais difícil possível. Some-se a isso, a corrupção desenfreada e o fato de que as leis de blasfêmia provavelmente não serão revogadas nem adaptadas.

Assim, fica muito mais fácil entender como a situação do cristão paquistanês é realmente difícil. Na melhor das hipóteses, eles são cidadãos de segunda classe. De acordo com as informações que temos, aumentou a influência dos mulçumanos fanáticos nas forças oficiais de segurança e na polícia, o que quer dizer que os cristãos, em geral, são monitorados mais de perto que antes. Também aumentou o número de ataques a igrejas, a casas cristãs e a outros lugares de culto.

Líbia (23)

A Líbia não tem constituição nem lei que determine com clareza a liberdade religiosa. O país segue a lei islâmica tradicional. É proibido converter mulçumanos. As autoridades restringem a importação e distribuição de literatura religiosa. Os ex-muçulmanos estão sujeitos à pressão social e ao ostracismo.

A maior perseguição vem da família e da sociedade. As igrejas estrangeiras, em geral, têm liberdade para fazer cultos em suas instalações contanto que não se envolvam em política nem permitam o acesso de líbios aos cultos. O total de pontos da Líbia, em comparação a 2006, cresceu por causa dos relatos que recebemos de que diversos cristãos foram presos em razão de suas (suspeitas) atividades cristãs, e outros foram feridos fisicamente por causa de sua fé.

Mauritânia (24)

A república islâmica da Mauritânia reconhece o islamismo como a religião oficial de seus cidadãos. O governo limita a liberdade religiosa em parte com a restrição de distribuição de material religioso não-islâmico e da evangelização de mulçumanos, embora a posse privada desse material não seja proibida.

Não há liberdade de conversão para outra religião que não seja o islamismo. A sentença para apostasia é a morte, embora essa sentença não tenha sido executada (formalmente) nos anos recentes.

O total de pontos da Mauritânia, em 2007, como no ano anterior, cresceu de forma considerável. Em 2007, recebemos mais informações sobre esse país, e estas indicam que a situação para os cristãos está pior do que se esperava. Isso não quer dizer que a situação piorou durante o ano passado. De acordo com nossos colaboradores regionais, não houve mudança na tendência de perseguição aos cristãos. Em 2007, poucos cristãos foram presos.

Jordânia (39)

A religião oficial da Jordânia é o islamismo. Proíbem-se a conversão do islamismo e a evangelização de mulçumanos. Os convertidos do islamismo enfrentam discriminação da sociedade e, às vezes, do governo. Os ex-mulçumanos convertidos a outra religião ainda são considerados mulçumanos e ficam sob a jurisdição das cortes sharia. A Jordânia é conhecida como o país com mais orientação ocidental e mais livre do Oriente Médio.

Por essa razão, o aumento de pontos da Jordânia é uma surpresa para muitos. Explica-se esse aumento tanto pelo fato de termos recebido mais informações sobre o país como pelo aumento do controle dos cristãos, em geral, e da pressão sobre os missionários estrangeiros, em particular.

Muitos vistos não foram renovados, e três missionários e suas famílias foram forçados a deixar o país, alguns após poucos dias de detenção. Líderes de igreja que tentavam alcançar mulçumanos foram importunados.

Algumas pessoas que ministram para refugiados iraquianos também foram impedidas de fazer isso. Além disso, nossa equipe na região relatou que, no momento, é impossível o registro de novas denominações.

Belarus (41)

Belarus tem um dos regimes mais repressivos da Europa. Os direitos humanos, sob a ditadura do presidente Lukashenko, são esmagados, e os dissidentes, presos. O governo continua a restringir a liberdade religiosa. Embora o país não tenha formalmente uma religião oficial, a Igreja Ortodoxa Bielo-russa desfruta de posição privilegiada.

Protestantes (como luteranos, reformados, evangélicos e batistas) atraem atenção negativa, provavelmente por suas presumíveis ligações com os Estados Unidos. Ocorreram inúmeros ataques a monumentos, prédios e cemitérios religiosos com pouca resposta perceptível por parte do governo. As autoridades têm mantido, durante anos, comunidades religiosas à espera de decisões a respeito de registro ou restituição de propriedades.

As autoridades também assediam e multam membros de certos grupos religiosos, em especial aqueles que elas parecem ver como portadores de influências culturais estrangeiras ou de algum programa político. Missionários, clérigos e trabalhadores humanitários estrangeiros afiliados à igreja enfrentam muitos obstáculos impostos pelo governo, até mesmo deportação e a recusa ou cancelamento de visto.

Em 2007, o número de incidentes de perseguição aumentou, resultando em uma pontuação um pouco mais alta para o país na lista. Mais cristãos foram presos e interrogados, mais cristãos, assediados, e mais reuniões da igreja, interrompidas.

Territórios palestinos (42)

Os territórios palestinos — Cisjordânia e Gaza — são novos na classificação de países por perseguição. Durante o ano passado, a tendência em relação à perseguição de cristãos aumentou de forma considerável. Além disso, também coletamos mais informações sobre essa região do que em anos anteriores. Os territórios palestinos ficam sob a jurisdição da Autoridade Palestina, que não tem constituição. A lei palestina básica concede liberdade religiosa.

Contudo, ela também afirma que o islamismo é a religião oficial e que os princípios da sharia são a principal fonte da legislação. Em junho de 2007, acabou a união dos governos do Hamas e do Fatah quando os militantes do Hamas lançaram um golpe súbito contra o Fatah. Poucos dias depois disso, eles assumiram a Faixa de Gaza. No mesmo período, militantes não identificados atacaram a Rosary Sister School [Escola Irmãs do Rosário].

A vitória do Hamas também resultou em mais violência contra ex-mulçumanos. Em vista dessas circunstâncias, parece que os extremistas mulçumanos se sentem cada vez mais encorajados a perseguir ex-mulçumanos. Também se reportou um crescente número de incidentes com ex-mulçumanos: por exemplo, dois cristãos tiveram de fugir para a Jordânia; um deles fora detido pela família por ter se convertido ao cristianismo.

No último mês de outubro, o gerente da livraria da Sociedade Bíblica de Gaza foi morto depois de receber ameaças de extremistas mulçumanos. Ninguém foi acusado pelo assassinato. Em abril de 2007, após ameaças prévias, a livraria foi atacada com bombas. Diversos cristãos foram presos, interrogados e espancados por causa de sua fé.

A pontuação dos Estados do Golfo, Qatar, Omã, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Barein parece sugerir que a situação da liberdade religiosa dos cristãos piorou. No entanto, esse não é necessariamente o caso. Primeiro, recebemos mais informações que indicam que a situação dos cristãos nesses países está pior do pensávamos.

Segundo, existe uma situação especial nos Estados do Golfo em que os estrangeiros representam uma parte desproporcionalmente grande da população. Muitos deles vêm de países em que o cristianismo predomina e, com freqüência, são tratados de forma distinta.

Por exemplo, eles, em muitos casos, desfrutam de mais liberdade que a população de cidadãos locais, população essa que, com freqüência, considera-se que seja mulçumana. Nessa população também há cristãos, quer antigos cristãos quer ex-muçulmanos. Eles raramente desfrutam, se é que já desfrutaram, de alguma liberdade religiosa.

Uma vez que a situação deles poderia ser “lançada na sombra” por causa da situação favorável dos estrangeiros, escolhemos focar essa população cristã de cidadãos locais quando completamos os questionários para os países do Golfo. Não excluímos a população estrangeira, mas demos um peso menor a ela do que seus dados sugerem.

Esse é outro motivo, independentemente do aumento de quantidade de informações recebidas, por que os países do Golfo subiram a pontuação. À medida que os dados não acarretam mudança na situação da liberdade religiosa para os cristãos, nós não mudamos o “zero” sob a coluna “tendência”.

Fonte: Portas Abertas