Os primeiros que devem constar nos denominados muros da infâmia são os sacerdotes e os pastores que, aproveitando-se da condição de poder ou de afeto, abusam sexualmente de crianças e adolescentes, pediu a vereadora distrital Gilma Jiménez, de Bogotá, Colômbia.

“As igrejas, em especial a Católica, à qual pertenço, tem que reagir de imediato diante esse tipo de delito de lesa humanidade. Não podem continuar protegendo os delinqüentes que aproveitam o hábito para submeter crianças às suas aberrações sexuais”, disse a vereadora.

Jiménez pediu aos líderes da Igreja Católica e das outras confissões religiosas para que levantem as prerrogativas daqueles sujeitos que estão sendo questionados moral e eticamente. Ela quer que a Justiça colombiana possa investigá-los sem nenhuma restrição.

A vereadora espera que os primeiros “muros da infâmia” sejam instalados nos próximos 15 dias, enfatizando que vai propor a instalação de cartazes especiais para mostrar os religiosos envolvidos em delitos sexuais. Jiménez destacou-se por seu trabalho em defesa de meninas e meninos de Bogotá.

Presidentes de denominações evangélicas aplaudiram a exigência da vereadora, que recordou, mediante direito de petição enviado à igreja Católica, que “todas as instituições públicas e privadas, as instituições religiosas e a comunidade em geral, estão amparados e regidos pela mesma Constituição, a qual assinala, no artigo 44, a “prevalência dos direitos das crianças sobre os direitos dos demais”.

“Esse princípio, que tem muito dos ensinamentos de Jesus Cristo, é um direito das meninas e meninos e não é negociável para nenhum membro da nossa sociedade. Além de um imperativo legal, é uma obrigação ética e moral para qualquer membro da sociedade”, frisou.

No ano passado, informou a vereadora, foram praticados mais de 20 mil casos de violência sexual, 17 mil em menores de idade e, destes, cerca de 15 mil em menores de dez anos, dos quais 70% dos casos não foram denunciados.

“As condenações são poucas e as penas são vergonhosas, como a imposta a Víctor Blanco, um sacerdote de Cali, que foi condenado a escassos 54 meses de prisão por violar dois meninos que estavam sob seus ‘cuidados’ numa instituição de proteção social. Este condenado aparecerá nos Muros da Infâmia. Tudo isto é uma vergonha para o nosso país”, afiançou a vereadora.

Jiménez afirmou que “80% dos agressores são familiares e conhecidos dos menores. Quando o agressor é próximo à vítima e este ostenta uma condição de poder como a de um sacerdote, que é também um guia espiritual, viola-se a esperança, a confiança e, pior ainda, a fé na Igreja”.

Fonte: ALC