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Após a polêmica criada na Câmara de Salvador com a defesa do Dia Municipal de Conscientização Antiaborto, a vereadora Cátia Rodrigues (PROS) ressuscita uma ideia do deputado estadual Pastor Sargento Isidório (PSC) e propõe a colocação de monumento representando a Bíblia no Dique do Tororó.

Em um projeto de indicação, a vereadora sugere ao prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), que a Bíblia seja representada “em dimensões análogas às demais homenagens prestadas no local”, em referência às esculturas de orixás existentes no espelho d’água do dique, de autoria do artista Tati Moreno.

Em 2011, Isidório apresentou na Assembleia Legislativa da Bahia um projeto com a mesma reivindicação. A matéria foi arquivada, após ter voto favorável em uma Comissão Diretora.

Integrante da bancada evangélica da Câmara, Cátia fala em “tolerância religiosa” no uso do dique.

Para o vereador Gilmar Santiago (PT), porém, a proposta representa “uma profunda intolerância com religiões de matriz africana por trás de um discurso de busca de igualdade de direitos”. “Existem na cidade muito mais símbolos enaltecendo as religiões judaico-cristãs. Aquela é uma das poucas referências do candomblé”, afirmou o petista.

A criação do dia de conscientização antiaborto gerou grande discussão na Casa entre as bancadas de governo e a oposição, majoritariamente contrária ao projeto. A lei foi sancionada esta semana pelo prefeito.

[b]Expressão estética
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Adepto do candomblé, o vereador Edvaldo Brito (PTB) afirmou que a proposta da vereadora parte de uma “premissa falsa”, apesar da ressalva de que “qualquer vereador é livre para fazer proposições sobre qualquer tema”.

“As figuras (esculturas de orixás) não estão ali por um motivo religioso, e sim por um motivo estético. Não me parece que seja passível uma escultura da Bíblia, por exemplo, com esses mesmos objetivos”, disse Brito, para quem não há problema na existência de símbolos religiosos, como crucifixos, em repartições públicas.

“Não há qualquer desrespeito à laicidade, que existe para que o Estado não tenha gastos ou custos com uma religião em detrimento de outra”, declarou Brito.

Procurada, a vereadora não atendeu aos telefonemas.

[b]Fonte: A Tarde[/b]